Opinião – Frio dentro de casa

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Apesar do IVA da eletricidade ter descido de 23 para 6%, vamos continuar a ter frio dentro de casa. Isto porque vivemos num clima temperado, onde os invernos são “assim assim”, noites frias e dias agradavelmente quentes. E, por isso, tendemos a desleixar o conforto térmico, vamos aquecendo água para encher botijas e ligando ineficientes aquecedores elétricos que nos consomem muita energia e centenas de euros por ano.
Outros acendem a lareira e aquecem a casa durante o tempo que a madeira arde, depois volta o frio. Diga-se de passagem que a queima de biomassa em meio urbano tem tido um incremento significativo, com uma crescente poluição atmosférica (partículas) que se sente mais em dias de nevoeiro. As pessoas com problemas respiratórios que o digam…
Neste janeiro de 2019, as temperaturas mínimas a descerem mais do que é habitual, rondando os zero graus nalguns pontos do concelho da Figueira da Foz. Logo aumenta o consumo de energia, o “mercado livre” esfrega as mãos, mais lucros, mais necessidade de construir barragens, manter as centrais a gás natural e o carvão… e mais lucros ainda. Neste ciclo pouco virtuoso, mais consumo, o mesmo conforto e qualidade de vida, o Estado deveria intervir, regulando mais do que somente o preço e o IVA da energia.
Há ainda que estabelecer metas ambiciosas de intervenção no edificado. Por exemplo, através de um contributo nacional do IVA da energia, gerando fundos para que todos tenham uma casa eficiente até 2030. Ou a nível local, incentivando diretamente os proprietários a investir. Casas termicamente eficientes, bem isoladas e ventiladas, em que um bocadinho de calor faz maravilhas.

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