Opinião – Coimbra em Sabrosa. Fernão de Magalhães e o fado de Coimbra

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  1. Sabrosa, Coimbra e os Descobrimentos

A poucos quilómetros de S. Martinho de Anta fica Sabrosa. Vila airosa (1200 habitantes), sede de Concelho (6400), em pleno Douro vinhateiro, inserido na Região demarcada do Douro.

Terra pequena em população mas grande na alma feita de gente boa e generosa como é próprio dos transmontanos, determinada na defesa da sua Historia e tradições,

Foi aqui que nasceu  Fernão de Magalhães (1480/1521)que deu a volta ao Mundo (1519-22) sulcando os oceanos desconhecidos, provando a esfericidade da Terra. No seu livro sobre o navegador, Stefan Zweig escreveu: “Fernão de Magalhães realizou o que mais de grandioso existe no descobrimento da Terra. É talvez a mais extraordinária odisseia da Historia da Humanidade, desde sempre”.

Mercê deste facto, Sabrosa tem sabido desenvolver relações privilegiadas com as terras visitadas pelo seu ilustre filho nessa gigantesca e inacreditável viagem; Brasil, Argentina, Chile e Filipinas entre outras, o que tem permitido projectar mundialmente o Concelho, a Região e o País.

Está ainda por fazer, em grande parte, e sobretudo ser divulgado, o papel importante e com certeza fundamental que a UC teve nos Descobrimentos portugueses. Aqui fica, a partir de terras de Sabrosa, um convite e um desafio aos inúmeros e ilustres historiadores portugueses e particularmente aos mais intimamente ligados à UC.

 

  1. A Biblioteca Municipal e a grande surpresa chamada Manassés

Há muitos sabrosenses que estudaram  e se licenciaram em Coimbra. Tive oportunidade de o constatar na Biblioteca Municipal onde fui gentilmente recebido pelo Dr Alfredo Martins a quem deixo aqui a minha gratidão pela forma hospitaleira como nos recebeu e orientou uma longa pesquisa ao encontrar centenas de ilustres transmontanos e alto durienses com ligações a Coimbra, que povoam estas minhas ultimas Cronicas dedicadas à Região.

Deambulando pelas ruas da vila e falando com as pessoas, como é meu habito, uma grande surpresa estava guardada. Numa casa brasonada com rés do chão e 1º andar, uma placa, dizia: “Nesta casa nasceu em 06:01.1885 Manassés Ferreira de Lacerda Botelho que foi estudante de Coimbra e que se celebrizou com o fado Manassés”.

Caros leitores, senti um arrepio pela espinha abaixo. Tantas vezes a ouvir falar em Manasses quando o fado de Coimbra anda por perto, nunca me interroguei sobre quem foi Manasses, nem onde ele nasceu. E de repente, ali estava ele num segredo bem guardado.

A uma senhora atenta, a vender fruta, perguntei: -Somos de Coimbra. A senhora conhece Coimbra? Conheço sim senhor tenho là um netinho na Universidade a  estudar para medico! Sabe quem foi Manassés, o que nasceu nesta casa? Não conheço não senhor! Mas o seu neto nunca lhe explicou isso?

Não. Ele também não sabe. Com certeza là em Coimbra nunca ninguém lhe ensinou. Ele é muito esperto, mas uma pessoa não nasce ensinada, não é verdade? É sim minha senhora, tem toda  a razão!

E cantei à senhora, e a duas ou três pessoas atraídas pela conversa, a 1º quadra do fado Manassés: “Fecha os olhos de mansinho/ não os abras para ver/ que a vida de olhos fechados/ custa menos  a viver!”

Que bonito, disse a senhora! Quando o meu netinho vier a casa no fim de semana já lhe vou dizer que esteve cá! Deixei-lhe um exemplar do meu livro. Ficámos amigos.

 

  1. João da Pesqueira, terra natal de Paradela de Oliveira

Ao cair da noite, dum miradouro de Sabrosa, percorro o olhar, com vagar,  por estas serras e montes estreladas de pequenos povoados no meio de vinhedos a perder de vista. Luzes trémulas que fazem adivinharem famílias no aconchego do seu lar.

Lá em cima no horizonte vislumbro S João da Pesqueira. Foi além que nasceu o celebre cantor de Coimbra Paradela de Oliveira (1904-70).    Estudante de Direito em Coimbra (1924-28), pertenceu à 1ª geração de oiro juntamente com Edmundo Bettencourt, Lucas Junot e Artur Paredes.

E pareço ouvir  a sua voz forte e melodiosa no  “fado das andorinhas” (autor da letra), envolvendo este ambiente maravilhoso, que nos faz sentir noutro mundo: “Porque os meus olhos se apartam/ dos teus, não lhes queiras mal/que as andorinhas que partem/voltam ao mesmo beiral”

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