Opinião – As novas pragas e o novo terrorismo

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Tenho algumas fantasias do horror que não devia tornar públicas, nem comentar sugerindo ideias, nem fazer graça, pois podem ser um dia amargos de boca. Penso nisso e nos filmes que ensinam a roubar, nas séries que ininterruptamente falam de matar e destruir e opino pela partilha dos sonhos. Afinal a minha imaginação é festa como as outras e é pavor como o de muitos e é heróica por vezes. Contar as fantasias pode ser um enfado, como também a sequência imparável de anedotas. Os meus maiores medos falam de smog com monóxido, de água nas torneiras com veneno, de injecção de tóxicos nas culturas, de bombas em estádios repletos. Os novos fanáticos não se importavam de matar todos os toureiros (veja-se a inacreditável alegria e rejubilo nas redes sociais com a morte de Bastinhas) não se coibiam de abater os ricos, não se envergonhavam de matar os católicos ou os muçulmanos. Dependendo da sua convicção e da sua intolerância são capazes de tudo. Houve quem defendesse Pol Pot, houve quem gritasse as virtudes de Estaline, houve quem apoiasse Maduro ou esse inapresentável da Coreia do Norte. Estes fanatismos vermelhos foram construtores de terrorismo como as Brigadas Vermelhas, as Baader Meinhof, o sendeiro luminoso, a ETA, o IRA, o PRP-BR (ainda vai à TV a sua líder Isabel do Carmo num misto de apagamento compreensão nunca criticada e dezenas de assassinos de inocentes desarmados. São milhões de fanáticos que se acham de esquerda mas na verdade são violentos social fascistas capazes de destruir, matar e agora ofender nas redes sociais. A dura verdade é que Mário Machado foi à TV e devia ir mais vezes a direita dele como vai a extrema esquerda do Arnaldo Matos e ser confrontado com suas ideias e suas circunstâncias. A intolerância nunca defendeu a democracia e a liberdade e nunca pode ser socorrida com a mordaça e a perseguição ou a injúria. A defesa intransigente da democracia faz-se onde se vive bem, onde os direitos dos trabalhadores se respeitam, onde a cultura sobressai, onde não se votaria em idiotas ou tontos porque haveria alternativas e sabedoria para o evitar. A irracionalidade do moita-carrasco e os arquipélagos Gulags e os campos de extermínio comprovam que não é a esquerda ou a direita que causam problemas, são as duas, bem como as religiões todas e os fanatismos todos. O ser humano intolerante mata tudo o que detesta. O pior predador da terra. Os fanáticos acham sempre que são donos da razão e podem obrigar todos às suas convicções. A fronteira é muito ténue entre a tirania e a democracia. O discurso acusador e de amedrontar é típico de uma certa esquerda que exige mordaças e adora vilipêndio. Na sua doçura de ideias são muitas vezes mais perigosos que alguma direita desbragada e identificável.

One Comment

  1. Susana Nikolaïdes says:

    Sim, Sr. Diogo Cabrita. Poupe-nos aos detalhes das suas fantasias do horror. Já nos bastam os seus excessos descritivos de irreprimíveis episódios evacuatórios em idealizados contextos assépticos hospitalares. Arruina-nos completamente a noção, a ideia, de um Mundo Limpo.
    Com efeito, Sr. Diogo Cabrita, poderá bem ser, e como escreve, que não seja nem a esquerda ou a direita a causa de problemas, mas ambas, "bem como as religiões todas e os fanatismos todos". Ainda que não seja isso ideia, ou talvez mesmo, frase nova…
    Terá o proteico Almeida Negreiros, em A Invenção do Dia Claro, escrito "(…) quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa – salvar a humanidade." Bertrand Russell só escreveu o que escreveu, depois de Almeida Negreiros ter nascido.
    Agora… Poderá bem suceder que nada do que tenha sido, ou venha a ser escrito, sejam de alguma utilidade à salvação da humanidade. Pois, se nem o humano Bertrand Russel, um homem que “ever acquired extensive experience of the lives most people lead or who took much interest in the views and feelings of the multitude”, se salva no Intellectuals, From Marx and Tolstoy to Sartre and Chomsky, do bilhardeiro Paul Johnson…! Se duvida desta caracterização johnsoniana, queira ter a gentileza de indagar junto do seu Fellow Opinator, Sr. Rui Bebiano.
    Reflectindo bem, poderá até que não haja porque concluir que a humanidade se queira ou espere salva! E igualmente, safa de certos problemas, tais como a existência fluctuante dos seus mais energúmenos exemplares.
    Quanto a esquerdo e direito, não tenho o que lhe sugerir. São os dois de feição para o mester da visão.
    E se anda mortificado com a religião e o fanatismo, tente o The Varieties of Religious Experience: A Study in Human Nature, do William James, ainda que também William James, seja e escreva imperfeito, tal qual o meu Mestre Escultor, quem me terá deveras ensinado a desenhar, e que dizia muito sabiamente relativamente ao ensino do seu ofício, também o seguinte: “There is much talk about 'beauty' and much talk about 'truth', but all the student need concern himself with is reality – that natural reality which he recognizes in normal everyday life and which establishes itself in his mind through his senses.”.

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