“Já lá vai o tempo em que a AAC era refém de interesses partidários”

FOTO DB/CARLOS JORGE MONTEIRO

Esteve dois anos à frente da DG/AAC. Sai com uma sensação de dever cumprido?
Sim, sem dúvida. Claro que há muitas coisas que ficam por fazer, em dois anos de exercício. A quantidade de novas coisas que vão surgindo é imensa e, por vezes, acabam por não ser totalmente resolvidas. Costuma-se dizer que nunca se está tão preparado como na hora de sair. Acho que se pode dizer que é o meu caso. Mas saio de consciência tranquila e com a sensação de dever cumprido.

Qual acha que será o seu legado na AAC?
Essa seria uma questão de resposta muito longa… Mas posso dizer que o mais importante tem a ver com a forma de estar. Muitas vezes, sem nos apercebermos fomos mudando. Ideia da AAC funcionar de forma completamente livre e autónomo. Dirigindo autonomamente e sem depender de outras estruturas. Fomos uma associação livre nos últimos dois anos. Agora, em termos de bandeiras, de legado concreto, aquilo que mais nos orgulha é a reforma interna que promovemos e que ainda não está terminada. Em particular no que toca à reforma da Queima das Fitas e gestão dos espaços físicos. Por outro lado, terminámos as reformas da secretaria e serviços de arquivo da AAC e regulamento de gestão financeira. Vem dar um bocadinho de ordem à casa que, nesse aspeto, vivia num certo caos.
Esta reforma interna foi muito importante, crucial para o futuro da associação, que muitas vezes funcionava de forma desregrada.
Vitória contra a fundação foi outro dos marcos, num processo longo que exigiu muita luta e diálogo junto da Reitoria. Houve muito diálogo… Na altura, esta posição firme contra a transformação para este regime era de alto risco. Se a fundação fosse aprovada tínhamos tido consequências políticas desfavoráveis.

O referendo que ditou o fim da garraiada é um dos marcos do mandato?
Acho que sim. Pela positiva e pela negativa, acho que fiquei com demasiados louros desse referendo. Apoiei o referendo mas a verdade é que a DG não teve uma influência decisiva na realização do referendo e no seu resultado. É um mérito da Queima das Fitas e da sua estrutura, Comissão Organizadora, fundamentalmente.

Hoje as redes sociais dão muito eco aos que elogiam e aos que criticam. Se por um lado uns dirão que foi um ato de coragem, que personificará uma espécie de vento de mudança, outros acusam-no de ser conivente com o fim das tradições, de não respeitar a cultura. Foi fácil lidar com estas reações?
Não foi a primeira vez que tive de reagir a este tipo de conflitos. E sei que é um tema de gera muitas emoções. Aliás, uma das coisas que aprendi neste percurso é que há um determinado ponto em que ou se tomam decisões ou se agrada a toda a gente. E nestes mandatos, procurei tomar posições e decidir. E só me manifestei no fim do processo. Trouxe tantas chatices como elogios, esta questão da garraiada. Faz parte… Seria uma irresponsabilidade e até uma cobardia não tomar posição.

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