Candidatos a reitor da Universidade de Coimbra defendem maior ligação à cidade

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Foto – DB/Pedro Ramos

Candidatos a reitor da Universidade de Coimbra defenderam, num debate, uma ligação mais efetiva à cidade e ao Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) para potenciar, nomeadamente, o capital associado ao setor da saúde.

Durante cerca de hora e meia, participaram três dos quatro candidatos: o atual vice-reitor da Universidade de Coimbra (UC) Amílcar Falcão, o docente e investigador na área da inteligência artificial Ernesto Costa e o diretor da Faculdade de Letras (FLUC), José Pedro Paiva (não esteve presente a astrónoma brasileira Duília Fernandes de Mello).

No debate, que ocorreu na Casa Municipal da Cultura, os três candidatos à liderança da UC defenderam uma maior ligação à cidade, com especial incidência no potencial de Coimbra no setor da saúde.

Amílcar Falcão frisou que, apesar de ser adepto da ideia de uma “universidade global”, é necessário olhar para a região, entendendo que a UC tem de “se entender com a cidade”, nomeadamente com o CHUC e com a Câmara Municipal.

“Creio que tem faltado algum diálogo”, notou, considerando que a universidade tem de sentir que os problemas da autarquia como sendo seus e vice-versa, defendendo uma “articulação estreita” entre as três entidades.

Na sua intervenção inicial, Ernesto Costa fez referência a essa necessidade, defendendo não apenas o “objetivo estratégico” da “Cidade da Saúde”, mas também a importância da universidade se envolver noutros problemas da região.

Nesse sentido, apontou para uma intervenção conjunta de reabilitação de casas para estudantes na Baixa de Coimbra ou aumentar a dimensão da Incubadora do Mar e da Indústria, na Figueira da Foz.

Já José Pedro Paiva alertou que não se pode esquecer também na ligação ao setor da saúde as instituições privadas da área que estão instaladas em Coimbra, reconhecendo também um “enorme potencial” da cidade nesta matéria.

Para este candidato, é também necessário garantir que se transforma o conhecimento produzido no seio da instituição “em valor”, por forma a ajudar a cidade e a região a desenvolverem-se.

Durante as suas intervenções, José Pedro Paiva defendeu ainda a necessidade de enfrentar o declínio demográfico, que o reitor não pode ser um fiscal, mas que deve “zelar para que se cumpram as estratégias que a universidade define”, e ainda reafirmou que considera “um desperdício de tempo” a revisão do RJIES (Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior), considerando que a Universidade de Coimbra não deve promover o debate em torno desse processo.

No debate, Amílcar Falcão constatou que a Universidade de Coimbra tem perdido “algum papel de relevância como ator na política nacional”, defendendo que é preciso ter uma equipa capaz de dialogar com os vários decisores políticos, mas também uma estratégia de comunicação melhor, para garantir uma maior atratividade.

O atual vice-reitor apontou ainda para a necessidade de afirmar Coimbra como uma universidade virada para a investigação.

Também Ernesto Costa defendeu uma “universidade de investigação”, propondo-se a avançar com a criação de uma estrutura para coordenar a investigação e uma maior presença de estudantes em programas doutorais.

O investigador vincou ainda que a revisão do RJIES é necessária para a autonomia da UC, entendeu que a ideia de universidade global suportada no turismo ou nas propinas dos estudantes internacionais não vinga no médio prazo e que a cultura será fundamental na internacionalização desta instituição.

As eleições para reitor da Universidade de Coimbra para o mandato 2019-2023 vão decorrer numa reunião plenária do Conselho Geral, a 11 de fevereiro, havendo a 04 do mesmo mês uma audição pública dos candidatos e uma segunda sessão, apenas para membros do Conselho Geral, no dia seguinte.

O Conselho Geral da Universidade de Coimbra é constituído por 18 representantes dos professores e investigadores, cinco estudantes, dois trabalhadores não docentes e não investigadores e dez elementos externos à instituição.

O atual reitor, João Gabriel Silva, termina em 2019 o seu segundo mandato à frente da Universidade de Coimbra.

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