Opinião: Tudo em Greve!

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Portugal vive um momento estranho. A administração pública está de greve, planeia uma greve ou está em protestos diversos. Algumas das greves são “controladas” por movimentos sindicais, outras nem por isso, mostrando também que esses protestos são orgânicos e genuínos.

O enquadramento das greves pode ser o protesto por melhores salários, pelo cumprimento da lei no que concerne à progressão de carreiras, estabilidade laboral ou, até mesmo, melhores condições para o exercício das profissões. O enquadramento também é a mensagem do governo que proclamou o “fim da austeridade” , apesar de ter dado com uma mão algumas reposições de salários à função pública que, aliás até estavam programadas, e tirado com a outra a todos os portugueses, incluindo os primeiros, através de aumento de vários impostos sobre o consumo e de muitas cativações sem paralelo provocando perturbações assinaláveis na qualidade dos serviços públicos.

A mensagem política foi titubeante e habilidosa , de modo a não perturbar o suporte parlamentar do governo. As portas dos protestos de praticamente todos os setores do Estado escancararam-se e, apesar dos assobios do Governo, existe uma atmosfera social pouco própria da paz natalícia, uma vez que houve uma percepção geral de que é possível conquistar melhores condições num país que se pauta por salários mais baixos do que a média europeia. E, aqui, entramos num beco que parece não ter saída.

O Estado continua a ter setores reféns de interesses partidários, nos últimos anos não fez um mínimo gesto de reforma mais estrutural, capta uma quantidade imensa do rendimento dos cidadãos e das empresas, retirando-lhes competitividade e , nalguns casos, esperança num futuro melhor. Este circulo vicioso, deixa a economia portuguesa mais exposta, para além da ameaça de se poder ter mais uma crise, uma vez que a divida pública portuguesa é gigantesca e qualquer facto que faça abanar as estruturas europeias pode ser suficiente para voltar a destruir empresas e emprego, levando a mais custos sociais e problemas repetidos.

As ameaças e as condicionantes juntas, vão prendendo investimento e criando um ambiente avesso ao risco, o que naturalmente faz com que a evolução que todos desejam seja muito mais lenta ou praticamente nula, no que concerne ao nosso nível médio de vida. Não penso que tudo seja uma inevitabilidade. Mas, penso que falta estratégia e inovação, bem como existe pouca percepção do que se passa no mundo.

Temos o websummit e temos a atractividade turística em alta, alguns setores em esforço de modernização, mas com um Estado obsoleto e pouco propenso à mudança, estático e demasiado reativo. Entretanto, temos a sociedade em convulsão, com um governo a tentar gerir o quotidiano, empresários à espera para ver o que isto poderá provocar, assistindo, ao longe, a muitos coletes amarelos que destroem as ruas e as lojas comerciais de Paris. Tudo porque as pessoas estão fartas de tanta mansidão e de gente que faz de conta.

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