Opinião: 2019

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“Acabava de entrar o ano de 1872. O novo ano que chegava interrogava o ano velho. “Fale-me agora do povo”, pediu. E o velho: “É um boi que em Portugal se julga um animal muito livre, porque lhe não montam na anca; e o desgraçado não se lembra da canga!”. “Mas esse povo nunca se revolta?”, insistia o ano novo. Respondeu o velho: “O povo, às vezes, tem-se revoltado por conta alheia.Por conta própria, nunca”.

E uma derradeira questão: “Em resumo, qual é a sua opinião sobre Portugal?”. E a resposta lapidar do ano velho: “Um pais geralmente corrompido, em que aqueles mesmos que sofrem não se indignam por sofrer”. (Eça de Queirós).

A Figueira da Foz, em 44 anos de democracia, foi governada por dois partidos: PS e PSD. O que os distinguiu? A designação e as divergências tácticas, dependendo se estão no poder ou na oposição. O que os une? O sistema de convergência, quando esta é necessária na gestão dos interesses instalados no concelho.

O PS, actualmente no poder, é um partido municipalista (tal como aconteceu com o PSD nos 12 anos anteriores a 2009), veículo ideológico conveniente a interesses individuais. Isto não é política: é interesse. Sem colocar em causa a legitimidade dos partidos, um cidadão pode intervir para além deles? Pode, mas pouco. No fundo, o “arco da governação” não passa de uma versão mitigada da mentalidade de partido único. Em 2019, a oligarquia que nos pastoreia continua com a faca e o queijo na mão.

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