Obrigados a trabalhar sem ganhar

Os casos de exploração laboral de homens na região Centro, que trabalham sem salário e em situação de coação, está a ser motivo de estudo.
A sinalização de vítimas portuguesas de tráfico de seres humanos ainda é residual, quer na região Centro, quer a nível nacional, afirma o coordenador do Centro de Acolhimento e Proteção (CAP) para vítimas de tráfico do sexo masculino. Trata-se do único CAP destinado a homens, localizado em Coimbra e gerido pela Saúde em Português. A este somam-se, no país, centros para mulheres e crianças.
Quase metade (42%) das 62 vítimas acolhidas no centro de Coimbra desde 2013 são portuguesas, apesar de, na sociedade, este problema estar muitas vezes associado a imigrantes que caem em redes de tráfico de seres humanos para exploração laboral ou sexual, referiu.
“Muitas vezes, nas aldeias, há um homem que trabalha para alguém, que lhe dá comida e bebida, mas não paga nada. Às vezes, é um problema cultural, porque até os exploradores dizem que estão a fazer um favor, apesar de a vítima ser explorada e agredida”, explicou.
Segundo o responsável pelo CAP, as autoridades estão muito mais sensibilizadas e os militares da GNR são “os pontas de lança” no combate a este problema.
Uma constante, em todos os processos de homens portugueses que passaram pelo centro que coordena, é a dependência do álcool.
“Cem por cento dos homens portugueses que aqui são acolhidos têm problemas de consumo de álcool. É uma forma de o explorador conseguir manter ali a vítima. É normal a vítima dizer que o patrão lhe dava comida, um sítio para dormir e um garrafão de vinho. A comida são restos, a dormida é uma barraca, o vinho é uma trela”, conclui.

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