Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra “precisa de ter uma maior sustentação”

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Foto – DB/Carlos Jorge Monteiro

P – A Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC) continua a crescer?
R – A faculdade continua a crescer, mas não pode crescer muito mais sem sustentação. Neste aspecto, as minhas principais preocupações mantêm-se, já vêm do ano passado. A primeira delas é relativa às pessoas, isto é, temos dois problemas graves, que têm a ver com os docentes e com os funcionários. Temos cerca de uma trintena de funcionários e um terço deles estão na situação de precários, foram contratados numa altura em que não podíamos abrir concursos e assim continuam.

Por outro lado, temos vários funcionários com mais de 60 anos, portanto, perto da reforma. Quanto aos docentes, no ano passado abrimos concursos, poucos, para professores auxiliares. A Universidade deu-nos autorização para abrirmos este ano os concursos que necessitamos, mas ainda não concretizou esse processo. Acresce que temos muito poucos catedráticos e professores associados.

P – Tem sido difícil renovar o quadro docente, na medida das necessidades?
R – Temos recorrido a professores convidados, que não podemos contratar quando terminam os quatro anos. Eu estou convencida que a abertura de novos concursos vai concretizar-se, confio no que nos foi dito, e isso irá trazer-nos um impulso muito grande. Nos concursos que decorreram no ano passado conseguimos contratar um docente para a licenciatura em Relações Internacionais e outros dois para a licenciatura em Gestão.
Se este ano não conseguirmos contratar dois professores para Relações Internacionais não conseguiremos duplicar os numerus clausus desta licenciatura, no próximo ano letivo, como nos foi proposto fazer, porque este é um curso que tem uma procura muito acima dos restantes. Quem nos visita, de fora do país, diz que os nossos cursos e o nosso corpo docente de Relações Internacionais se destaca, em termos do que é feito em Portugal. Mas há este impulso que precisamos dar.

P – A falta de professores também afeta outras áreas?
R – Sim, nas áreas de Economia e de Gestão temos também esse problema. Estamos já a contratar investigadores para Economia e para Gestão, que não tínhamos. Mas precisamos de mais professores nestas áreas, até por causa do CeBER, que é o centro de investigação que criámos e que está à espera de ser avaliado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).
A FEUC tem uma vantagem, que também pode ser considerada uma desvantagem, que é ter quatro áreas de saber muito distintas, embora confluentes: a Economia, a Gestão, a Sociologia e as Relações Internacionais. Se tivéssemos só Economia e Gestão necessitaríamos de outra escala do corpo docente. Por outro lado, temos o Centro de Estudos Sociais (CES), como âncora, nas relações internacionais, e isso para nós é importantíssimo. O CES e o seu fundador, Boaventura Sousa Santos, são cabeças de cartaz em qualquer parte do mundo das ciências sociais. A FEUC tem cursos de doutoramento em parceria com o CES.

(Entrevista completa para ler na edição em papel deste sábado, 2 de dezembro de 2018)

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