Coimbra avisou hospitais da região Centro para que evitem enviar doentes

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FOTO DB/CARLOS JORGE MONTEIRO

O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) avisou todos os hospitais da região Centro para não enviarem para aquela unidade doentes que tenham de realizar cirurgias, devido à greve dos enfermeiros, confirmou hoje a instituição.

Numa carta a que Lusa teve acesso, datada de quarta-feira e enviada à diretora clínica da Unidade Local de Saúde de Castelo Branco, o diretor clínico do CHUC, Francisco Parente, alega que aquele centro hospitalar “tem sofrido um impacto significativo [da greve dos enfermeiros às cirurgias] respondendo apenas a situações urgentes e a oncologia com níveis de prioridade mais elevado”.

Francisco Parente acrescenta que no CHUC o impacto da greve “não é idêntico nas várias áreas cirúrgicas, embora todas estejam afetadas, exceto a cirurgia cárdio-torácica” e pede que o hospital de Castelo Branco encontre “alternativas de referenciação dos doentes [não os enviando para Coimbra], principalmente nas áreas mais afetadas, pois de contrário poderá estar a condicionar a resposta atempada do tratamento” dos mesmos.

“Os doentes devem estar claramente informados das restrições da resposta dos hospitais que foram eleitos como alvos [da paralisação dos enfermeiros]”, avisa ainda o diretor clínico do CHUC.

A agência Lusa tentou ouvir Francisco Parente, mas fonte do departamento de relações públicas do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra respondeu que nem o diretor clínico nem a administração hospitalar prestam declarações.

Segundo a mesma fonte, o diretor clínico acedeu apenas a informar que a carta enviada para Castelo Branco “foi enviada a todos os hospitais da região Centro” que têm o CHUC como centro hospitalar de referência.

Estas unidades, precisou, situam-se na área de influência da Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro, que, segundo a sua página na Internet, abrange grande parte dos distritos de Aveiro, Leiria e Viseu e os distritos de Coimbra, Guarda e Castelo Branco, num total de 1,7 milhões de pessoas.

Fonte do Hospital Distrital da Figueira da Foz, por seu turno, confirmou à Lusa que a instituição também recebeu a carta enviada pelo diretor clínico do CHUC, embora argumentando que em algumas áreas clínicas “não tem alternativa” se não enviar para aquele centro hospitalar os doentes necessitados de cirurgias.

Na carta, Francisco Parente diz ainda que o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra está desde 22 de novembro, há cerca de 15 dias, “sob o efeito de uma greve cirúrgica, a qual envolve cinco hospitais, sendo o CHUC o único da região Centro”.

No texto, o diretor clínico argumenta que o “caráter intemporal” da paralisação dos enfermeiros “condiciona a resposta atual e futura” da instituição de saúde de Coimbra, “colocando os doentes que sejam referenciados para o CHUC na área cirúrgica numa situação de assimetria e desigualdade em relação a doentes com patologias similares em outros hospitais”.

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