Refugiado sírio que trabalha em Miranda do Corvo é exemplo de autonomização

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Fawzi Rasheed é um refugiado sírio que encontrou trabalho na Fundação ADFP (Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional), em Miranda do Corvo, para onde foi há dois anos e seis meses no âmbito do programa de acolhimento. Fugiu da guerra e encontrou a paz em Miranda do Corvo, no distrito de Coimbra, numa vila “melhor do que Lisboa”, na qual conhece “todas as pessoas”, disse, à agência Lusa.

“Estou num sítio seguro e pude refazer a minha vida. Estou satisfeito por estar aqui e por ter tido oportunidade de voltar a fazer tudo sozinho, não dependendo de ninguém”, salientou Fawzi, de 32 anos. Após os 18 meses do programa de acolhimento, autonomizou-se e passou a decidir os passos da sua vida, tendo começado por trabalhar numa empresa de Penela como torneiro mecânico, que era a sua profissão na Síria.

O horário (06H00 às 20H00) não se adaptava à sua vida familiar. Acabou por deixar esse trabalho e ingressar num curso de formação da Fundação ADFP para fiel de armazém. Concluído o curso, assinou um contrato de emprego apoiado e, neste momento, é um trabalhador com um contrato normal de trabalho com a instituição.

O exemplo de Fawzi contrasta com o de outros refugiados sírios acolhidos pela Fundação ADFP, que têm mostrado resistência para se autonomizar. Na segunda-feira, três famílias sírias instaladas em Miranda do Corvo ficaram sem água e eletricidade nas casas que habitam por ordem da Fundação ADFP, proprietária das habitações.

A coordenadora do programa de acolhimento de refugiados da instituição, Paula Santos, explicou que as famílias em causa terminaram no início de setembro o contrato de apoio e não mostraram vontade de se autonomizar, conforme estipula o processo de acolhimento.

“Há dois meses que terminou o contrato de acolhimento, mas ao longo de todo o processo temos tentado resolver as suas situações. No entanto, houve resistência dos refugiados”, disse a responsável. Fawzi Rasheed salienta que “as pessoas sabem que têm direito a 18 meses de contrato de acolhimento e a partir daí têm de fazer alguma coisa, começar a trabalhar e pagar as tuas despesas de casa, água e eletricidade”.

O jovem sírio concorda que no fim dos 18 meses do programa de acolhimento, os refugiados “procurem” a sua autonomização, considerando que “não se pode passar a vida a querer que os outros paguem comida, eletricidade e água”.

“Este país não tem dinheiro como outros têm. Não podemos comparar Portugal com a Alemanha”, enfatizou.

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