Quatro candidatos disputam a liderança da Associação Académica de Coimbra

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Quatro listas concorrem às eleições para a Associação Académica de Coimbra (AAC), na segunda e na terça-feira, elencando como prioridades a luta pela contínua redução das propinas e revisão do Regime Jurídico do Ensino Superior.

Miguel Mestre (Lista A – Agitar a Academia), estudante de História, Daniel Azenha (Lista C – Contigo, Somos Académica), estudante do mestrado em Geografia Humana, Pedro Chaves (Lista M – Mudança), estudante de Filosofia, e Mariana Rodrigues (Lista P – Preto no Branco), estudante de Direito, são os alunos que lideram as quatro listas que se candidatam à direção-geral da mais antiga associação de estudantes do país.

Relativamente às reivindicações políticas, os quatro estudantes assumem a necessidade de lutar pela contínua redução das propinas até esta ser eliminada, bem como a revisão do Regime Jurídico do Ensino Superior (RJIES) e um reforço da ação social direta e indireta.

Miguel Mestre (Lista A – Agitar a Academia)

“Temos que continuar a lutar pela eliminação da propina, mas ao mesmo tempo garantir que os apoios sociais não são reduzidos”, disse à agência Lusa Miguel Mestre, estudante de 22 anos que encabeça a lista A, defendendo ainda a luta para que o RJIES seja revisto de forma a garantir uma maior representação dos estudantes nos órgãos de gestão.

Redução do número de alunos por professor e aumento do número de bolsas e das residências universitárias são outras das propostas do candidato, que propõe ainda uma alteração ao modelo da Queima das Fitas.

O candidato da lista A considera que é preciso garantir uma “maior mobilização” dos estudantes para o protesto, para “potenciar outros momentos, nomeadamente a luta de rua”.

Daniel Azenha (Lista C – Contigo, Somos Académica)

Também Daniel Azenha, candidato da lisa C, considera que “não se pode deixar de lutar contra a propina”, depois de esta ter sido reduzida, elencando ainda a necessidade de revisão do RJIES e o aumento das bolsas para reduzir o número de alunos que ficam “na zona cinzenta” (não têm capacidade financeira para ingressar, mas também não são elegíveis para bolsa).

O vice-presidente da atual direção-geral, propõe-se a desenhar “uma visão para o ensino superior para a próxima década”, considerando que o próximo ano, por decorrerem legislativas, “é um ano para se fazer pressão de gabinete”.

Para isso, pretende desenvolver uma política “mais abrangente”, abordando os problemas no pré-universitário e no pós-universitário.

Pedro Chaves (Lista M – Mudança)

Pedro Chaves, estudante de 21 anos que encabeça a lista M, refere que a candidatura surgiu como um movimento de “descontentamento relativamente à atual direção-geral”, acusando-a de falta de transparência e de estar “muito fechada sobre si mesma”.

Propõe uma bolsa de mérito para os estudantes que participam nas secções desportivas e culturais da AAC, a luta pelo regresso do senado como órgão de gestão da universidade e melhoria das cantinas e das residências universitárias.

O aluno entende que a AAC não tem feito “mais manifestações por falta de vontade”, considerando que, face ao atual quadro político, é o momento ideal para ir para a rua: “Há uma diferença entre o presidente da AAC mandar uma carta ao ministério ou fazer isso com cinco mil estudantes atrás dele”.

Mariana Rodrigues (Lista P – Preto no Branco)

Já Mariana Rodrigues, da lista P, sublinha que a AAC tanto deve avançar com a luta diplomática como de rua, considerando que, para tal ter efeito, é preciso “mobilizar e informar a comunidade estudantil”.

A vice-presidente da atual direção-geral tem como propostas a criação de um gabinete jurídico para apoio ao alojamento estudantil, potenciar o legado dos Jogos Europeus Universitários e a aproximação, a nível da cultura, dos agentes da cidade.

Face à realização de legislativas em 2019, Mariana Rodrigues considera que é preciso continuar a lutar pela diminuição da propina e “responsabilizar o ministério para se caminhar para a gratuitidade”, mas também entende que a AAC deve ter também uma preocupação com a política científica do Governo.

As eleições para a assembleia magna e direção-geral decorrem na segunda e na terça-feira, das 09H30 às 19H00 em 23 urnas nas diferentes faculdades da Universidade de Coimbra, e à noite, das 21H30 às 23H59, no edifício da associação.

Caso nenhum dos candidatos consiga atingir maioria absoluta, será marcada uma segunda volta, que decorre a 03 e 04 de dezembro.

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