Opinião – Touradas e Não Só…

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A olhar para este nosso País parece por vezes tratar-se de uma enorme arena estando, de um lado os bons acima de qualquer suspeita – a esquerda unida, e do outro os maus, os fascistas, os que só buscam o próprio bem e que são, a direita.

Se quisesse transportá-los para a arena, os primeiros seriam os cavaleiros, os toureiros, os forcados, e do outro lado, isto é, do lado mau, os touros, que podem ser agredidos, vilipendiados, sem que nada aconteça aos que assim os tratam.

Se isto pode parecer uma metáfora, é seguramente uma verdade indiscutível, que todos os dias constatamos e verificamos nos media que nos “governam”.

Confesso que não tenho jeito para touro, e muito menos, para aceitar este tratamento desigual.

Serviu este pequeno introito para vos falar da polémica lançada pela Secretária de Estado da Cultura, relativamente às touradas.

Não sou, confesso, um apaixonado pelas mesmas, mas sempre me fascinou a arte de bem tourear de alguns dos nossos cavaleiros (penso que quem mais sofre nas touradas são os cavalos), considerando que os mesmos têm sido, ao longo dos anos, um enorme potencial turístico e não só, onde milhões de portugueses se revêm.

Os toureiros verdadeiramente têm uma incrível coragem e enfrentam a morte cada vez que sobem á arena.

Também os forcados representam o que há de melhor nas touradas porque defrontam o touro apenas com o corpo numa luta, muitas vezes desigual.

Todos os outros milhares de trabalhadores que “vivem à custa dos touros”, são gente como qualquer português, buscando qualidade de vida para si e para os seus, normalmente mal pagos.

Relativamente ao IVA confesso que não me preocupa se é de 13 ou 6%. Aquilo que me dói no discurso da Senhora Secretária de Estado é dizer que as touradas são um espetáculo incivilizado.

Quem é afinal a Senhora para nos considerar uma “cambada de idiotas” que se alegram e divertem a ver as “atrocidades” que se praticam sobre o touro no desenrolar do espetáculo?

A dita Senhora pode ter as ideias que quiser, pois não serei eu a criticá-la por isso. Mas não lhe admito que me chame “atrasado” ou “menos civilizado” por de vez em quando apreciar uma boa tourada.

Já agora, deixo um recado ao Sr. Primeiro Ministro que referiu que não gostava de ver as touradas na televisão, no primeiro canal, mas não se tinha lembrado de proibir o Conselho de Administração de as proibir, “fugiu-lhe a boca para a verdade” e disse que afinal quem manda na RTP1 é o governo e os seus acólitos. O problema é que nós todos pagamos por igual e que eu saiba, não lhe entregámos essa tarefa.

Já não falo na caça pois, embora hoje seja incapaz quase de matar uma formiga, recordo com imensa saudade o meu grupo de caça com o meu Irmão, o António Lopes, o meu Sogro e outros que, em muitas manhãs, disfrutámos de momentos de convívio e distração impossíveis de descrever.

Os cavaleiros do bloco de esquerda, a “nata da esquerda caviar”, fizeram a sua XI Convenção e afirmaram categoricamente que agora querem é governar. O que seria de nós se a nossa conceção da Europa fosse posta em causa?

Começariam de novo as nacionalizações em massa e os horrorosos touros fascistas que sustentam o País, através da iniciativa privada, acabariam rapidamente no matadouro, sem dó nem piedade. E nem sequer haveria tempo para os tourear…

Não tenho qualquer receio de viver em Democracia, mas tenho sérias dúvidas que a Democracia destes senhores tenha alguma coisa a ver com a liberdade, tal e qual a vivemos, e saboreamos todos os dias.

Afinal somos nós os touros os mais desfavorecidos, e aqueles que têm que enfrentar todo um conjunto de seres iluminados que permanentemente nos enchem de farpas e se riem despudoradamente.

Não fosse a Europa, e não passaríamos de um País de terceiro mundo pois, bem vistas as coisas, e verdade seja dita, foi à custa do dinheiro da Europa que o nosso estado social sobreviveu e sobrevive desde a saúde, à educação, passando pelas infraestruturas rodoviárias, e tantas outras bem feitorias.

Pergunte-se aliás, aqui nesta nossa Coimbra de sempre, à Câmara Municipal, com que dinheiro se fizeram as últimas dez maiores obras públicas (se é que chegaram às dez)? Por exemplo, e para citar a última, que não há meio de arrancar, o arranjo das margens do Mondego ( 90% da Europa, 10% da Câmara).

Termino como comecei, esta arena à beira-mar plantada, necessita urgentemente de gente de bem que queira apenas o bem dos outros e mais do que isso, tenha um sentido de serviço que comparo aos peões de brega, que passam despercebidos, mas sem os quais nenhuma tourada seria possível.

Permitam-me uma última palavra, para recordar o Engenheiro Leopoldo da Cunha Matos, um Senhor na totalidade da palavra, a quem me habituei a admirar pela sua espantosa forma de servir sem esperar receber. Viseu e Coimbra ficaram mais pobres, e o País viu partir mais um verdadeiro Português. À Família um abraço sentido de solidariedade, certo que o Eng. Cunha Matos descansa em Paz.

 

3 Comments

  1. Poortugues says:

    Num mundo onde os capitalistas são os donos da imprensa não compreendo como alguém gaste o seu tempo a insinuar que os media são de esquerda.
    Mas, vindo de uma pessoa que acha que quem sofre mais nas touradas é o cavalo… Porque não fazemos assim: o senhor escolhe alguém para vir para as minhas cavalitas (eu sacrifico-me como grande sofredor) e essa pessoa espeta-lhe um par de farpas nas costas. Depois voltamos a falar sobre quem sofre mais.

    Pode indicar-me um outro adjectivo (já que não gosta de "idiota") que classifique os seres humanos que "se alegram e divertem" a ver torturar um animal?

    Não deixa ainda de ser irónico que quem critica a esquerda que acha que os de direita são fascistas diga pouco mais à frente que a democracia que um partido defende é má. É como diz o povo: "Bem prega Frei Tomás…"

  2. Iō Nikolaïdes says:

    Às vezes é preciso ter algum cuidado com o que se escreve Sr. Serpa Oliva…
    A analogia do Sr. Serpa Oliva é pobre. Mas nem se vai perder tempo a explicar porque peca tanto o Sr. Serpa Oliva por contradição e falácia. O Sr. Serpa Oliva, saberá decerto comparar o que escreve num tempo t, e o que escreve num tempo t+1, e daí retirar algumas conclusões.
    Não estaremos preocupados com os governos ou com os políticos portugueses, mas estaremos muito preocupados se os esquerdistas forem toureiros e os Serpa Oliva de Portugal, forem touros. Ainda que apenas por analogia.
    É que pode calhar aos esquerdistas a peregrina ideia de tornar efectivos no Mundo Corrente, i.e., realizar, os símbolos dos cultos centrais dos Mistérios Mitraicos Romanos onde o touro é sacrificado – tauroktonos – 'matança do touro'.
    Sendo o touro sacrificado até que exangue, o Sr. Serpa Oliva, e o Mitra, um qualquer esquerdista.

  3. Tanta diarreia mental junta

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