Opinião – “Ladroagem, a maior riqueza de Portugal”

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O Tribunal de Braga condenou um homem a 1 ano e meio de prisão efectiva pelo roubo de 6 euros ocorrido naquela cidade em Janeiro de 2016. E obrigou o ladrão a devolver os 6 euros à vítima a título de indemnização, acrescida de 250 euros por danos não patrimoniais.
Desculpem-me os senhores internautas, furiosos com a dureza da sentença, mas julgo que não estais a alcançar a grandeza do momento. Então a justiça é eficaz e célere como lhe convém e vós queixais-vos!?
Vamos lá ponderar serenamente porquanto a seriedade da matéria a isso obriga.
Da cidade dos arcebispos chegou-nos, de bandeja, a medida da pena para crimes de roubo e, com as devidas cautelas, poderemos agora aplicá-la a furto simples, burla, branqueamento de capitais e demais habilidades da quadrilha que nos esvaziou os cofres.
Sabemos agora que 6 euros correspondem a 1 ano e meio de choldra, isto é, a 547 dias e umas horas. E sabemos também que os larápios são obrigados a devolver o produto do roubo e mais uma maquia por danos ‘morais’.
Ora, toda a gente sabe que a justiça é cega e, portanto, igual para todos. E é aqui, senhores, que devemos reconhecer a relevância do veredicto bracaraugustano, porque, doravante, o caminho está traçado: ensine-se aos juízes a vulgar regra de três simples, contrate-se gente para contar o dinheiro restituído pelos gatunos e enterre-se de vez a penúria.
Presto, pois, a minha sincera homenagem aos doutos juízes que demonstraram a fortuna de um país com tamanha gatunagem, riqueza equivalente a uns quantos poços de petróleo ou a algumas jazidas de diamantes.
E, dito isto, toca a fazer contas. Proponho até que arredondemos os números porque com tanto milhão à solta não há calculadora que nos valha. Às urtigas com as casas decimais: por cada euro, 91 dias de recolhimento e ponto final.
Vamos lá então!
Assim de repente (e perdoem-me os esquecimentos, mas não há espaço para tanto herói) sugiro que comecem pelo Oliveira e Costa, pelo Arlindo de Carvalho, e mais os 40 ladrões que os acompanham, rumo à caverna do Ali-Babá: carreguem os 50 milhões de volta e a ala pediátrica do S. João cá cantará!
Ao Armando Vara exijam já o carcanhol, antes mesmo de o encarcerarem, não vá ele esquecer-se de onde enterrou o tesouro. E saia já o novo Estatuto do Cuidador Informal porque dinheiro não faltará!
Os apartamentos do Zeinal Bava e do Granadeiro darão umas magníficas habitações sociais ali nos bairros chiques de Lisboa.
Entretanto criem de imediato uma agência de viagens, pois será preciso acompanhar o Dias Loureiro, o Luís Filipe Menezes, e a restante comandita, aos paraísos onde arrecadaram o guito. Na volta, tragam as malas cheias e garantam os reforços para as autarquias e para o desenvolvimento do Interior.
Para tratar das carreiras dos funcionários públicos, entreguem o Sócrates aos sindicatos e lavem daí as mãos como Pilatos.
(Já agora, de caminho, obriguem a Maria Leal a devolver o milhão que roubou ao marido, por favor)
E, finalmente, para encher os cofres do Estado para as próximas décadas, vão a casa do Ricardo Salgado com uns camiões TIR e encham-nos até mais não poderem.
Contas feitas e cofres aferroados, poderemos até emprestar dinheiro à Europa para ajudar os países mais pobres, pois nem todos têm semelhantes recursos.
Já, já, é preciso aumentar a Carregueira e prepará-la para cuidar de cidadãos de tão provecta idade, porque, já que cada milhão vale agora 249 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão, esta gente vai por lá ficar bastante tempo.
Obrigada, meritíssimos! O nosso país tem futuro, afinal.

One Comment

  1. Santa tartaruga , eu pensei estar lendo uma matéria do Brasil , mas não, é de Portugal , que por coincidência são países irmãos , será uma herança maldita ?

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