Opinião: Desafios e coerências!

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O orçamento do próximo ano está fechado com previsões económicas que, à partida, com mais ou menos cativações, permitirão cumprir o melhor défice da história da democracia. Não é pouco. Há, no entanto, vários perigos que continuam a pender sobre Portugal, nomeadamente a dimensão da dívida pública e a economia demasiado condicionada por uma carga de impostos e burocracia demasiado pesadas.

É justo dizer que a tarefa de um governo em Portugal, depois de se ter deixado crescer a divida do Estado para montantes de 125% do PIB , não é uma tarefa fácil. Também é justo dizer que a economia portuguesa é uma das que menos cresce no espaço económico do Euro, em 2018, o que significa que é tarefa de qualquer governo diagnosticar e atuar de forma prioritária na organização do Estado e na dinamização de ações que promovam a economia, seja na execução de fundos europeus, preparação e avaliação de candidaturas, promoção através da rede de diplomacia económica espalhada pelo mundo, dando-lhe mais recursos, aliviando a carga burocrática de aprovação de projetos , dando-lhes via verde nos serviços públicos, estruturando uma nova grelha de carga fiscal para permitir atração de novos investimentos, etc. Como cidadão, olho para o orçamento de Estado e espero que a economia cresça dentro das previsões do governo, de modo a aguentar o aumento de despesa projetado.

Depois, também espero que se definam duas prioridades estratégicas para o desenvolvimento do País, para além de gestão corrente dos assuntos correntes do Estado. Há setores essenciais que têm de ser geridos com bom senso e capacidade de ação, como sejam a educação e a saúde. Todos as políticas sectoriais são importantes, mas eu destacaria estas e deixava-as sobre um outlook de governação especial. Depois, definia as tais 2 opções estratégicas, uma centrada no crescimento sustentado da economia e a outra, na reforma contínua e modernização do Estado. Claro, e depois, o défice ou o superavit porque precisamos descer a divida do Estado para baixo de 100% do PIB, de modo a almejarmos sustentabilidade e estabilidade. É muito importante que não esqueçamos que há 3 anos ainda estávamos sob um programa de ajuda financeira e que há 8 anos fomos praticamente à bancarrota. Há lições que nunca se devem esquecer, independentemente da solução de governo. Não vale a pena irmos a todas, mas vale a pena refletirmos sobre isto.

Uma última nota sobre o recém lançado livro do Professor Cavaco Silva. A maioria dos comentadores criticou vivamente o seu conteúdo por expor reuniões e assuntos que foram tratados sobretudo no âmbito da intervenção da Troika, porque, “escrevem e dizem” que são temas do foro de Estado e que não deveriam ser revelados. Não entendo. Na realidade, quem se interessar e quiser perceber como funciona a política em Portugal tem muito para aprender se ler um livro deste tipo. Também não percebo as críticas porque não dei conta que as tivessem feito quando, por exemplo, Jorge Sampaio, lançou um livro similar, há uma década atrás. Enfim, “coerências” ! …

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