Opinião: Democracia implica justiça e não justicialismo!

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Quando a justiça não funciona, ou demora a funcionar, o justicialismo toma conta. E de várias formas. E todas elas nada éticas. Aliás, é o reflexo da bandalheira e fosso em que se tornam os poderes políticos, e sem fim à vista!

Os últimos casos, alguns nem tão últimos que até parece terem caído no esquecimento, refletem que a sociedade portuguesa, ao seu mais alto nível, está pelos dias da amargura.

Não fosse o caso do Deputado Silvano vir à tona, tinham atirado para as calendas a questão do uso e abuso de quilómetros pagos e não realizados. Já não entrava na equação da ética política. E existe, perguntarão?

É que o caso dos quilómetros não efectuados e pagos é tão grave como os demais.

Mas já agora, a saber, já não é a primeira vez que uns Deputados assinam por outros. Só que, como a conivência é grande e muitos dos ditos escrupulosos se esqueceram de denunciar, a coisa passou pelo intervalo da chuva e nada se soube. Foi só passado de ouvido em ouvido. Melhor, de orelha em orelha que, por tal, ninguém ouviu! Mas isso já é passado, diz-se…e bem!

Preocupado, sinceramente, muito preocupado estou eu com esta coisa de Tancos.

Pode acabar por saber que o Primeiro-Ministro e o Presidente da República conheciam da tramóia e até talvez o Presidente da Assembleia da República.

Em último caso poderia sobrar para mim “mandar” no País. Mas confesso que já não tenho paciência para aturar tanto mal-estar! Era para dizer idiotas…mas esqueci-me!

Quem “manda” na política dedicou-se a entreter a malta. Estou a falar da maioria que sustenta o governo, claro, que por agora ainda não se vislumbra oposição!

A malta vai-se entretendo a discutir coisas banais, comezinhas e de paróquia, não sendo chamada a debater- talvez “eles achem que a malta não sabe” – modelos de desenvolvimento. Entreter acho bem, mas para isso já chega “a bola”! Não precisamos de mais nada.

A malta da carreira – não disse carreiristas – vai acedendo com sorriso de orelha a orelha à mensagem do comandante em chefe, sempre na esperança de ser “levado de carreirinha” durante mais uns anos.

E lá vamos, ou melhor, lá vão, embalados por música que adormece peixinhos de aquário, não percebendo que é exactamente isso que ele acha que eles são; sem opinião…e fazedores dela!

Agora percebo o quão importante foi para o prisioneiro ter como melhor amigo um rato. Quando frequentava mais vezes o cinema – agora vejo mais no sofá até adormecer! – fiquei deveras impressionado com a reacção do rapaz quando o seu “estimado” guarda pisou o rato e o matou. Naquela altura, o rapaz preso e isolado só tinha por companhia aquele ser vivo a quem todos os dias alimentava com o que sobrava das suas refeições. Não se pode dizer sempre que se está bem. Há sempre um malandro qualquer que destrói, quando consegue, o que nos dá mais prazer.

Eu arranjei uma mosca de estimação. Não porque esteja preso, a não ser aos deveres que a minha consciência me impõe. Já lhe tentei “dar cabo do canastro” várias vezes e ela escapa-se sempre. Ora, se ela tão bem se escapa, só tenho que a adoptar como minha compincha.

Pela manhã saúda-me sempre, ora pousando abusivamente numa das minhas bochechas, ora posando com ar desafiador no espelho.

O rato e a mosca teem uma coisa em comum; não respondem! São mesmo melhores do que uma parede, por seres vivos. Incomodam, é verdade, mas dão gozo!

Luís Santarino escreve à sexta-feira, semanalmente

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