Opinião: Agonia no desporto

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É trágico que Coimbra não tenha uma equipa na primeira divisão do desporto rei que é o futebol. Tem que terminar o divórcio entre a cidade e o castelo, isto é, a universidade.

Temos que regressar aos velhos tempos em que a associação académica, através da sua secção de futebol, ombreava com os clubes mais qualificados como o Sporting, o Benfica, o Porto…

Eram todos estudantes (ou quase todos) e, no meu tempo, oito deles eram alunos de Medicina, o curso mais moroso e mais exigente.

Vem o 25 de Abril, surge o descalabro. Transforma-se a Associação Académica em Organismo Autónomo de Futebol e não foi extinto. Isso deve-se ao Senhor Presidente da República General Spínola.

As dificuldades foram progressivamente acrescidas, até à situação actual, em que são todos profissionais.

“O clube A comprou o jogar C, por x milhões de euros, ou centenas ou milhares…”. Volta-se à época dos escravos que se compravam, se vendiam, sem dar alternativa.

Tem que se terminar com isso, arranjar uma solução diferente, inspirada na ética do passado. Como proceder?

Arranjar instalações – internato ou moradia – para o despertar de talentos e o mesmo quando aqueles que não tiveram a sorte de ter alternativa para aproveitamento de talentos, aprendendo novas profissões, pelo que se indica o Convento de Santa Clara – onde esteve instalado o Regimento de Artilharia Ligeira 2 (R.A.L. 2 ) – ou os devolutos edifícios dos correios na Manutenção Militar e quanto aos ocupados, o 2.º regimento de companhias de saúde na rua da Sofia.

Quanto aos cursos superiores, teriam como opção a Cognitaria de S. Jorge de Milréu que terá que ter todos os cursos das Ciências da Vida e, se os não tem, foi porque devido à partidarice, associada à universidade, foram boicotados.

Da qualidade dos seus licenciados, dá-se como exemplo o curso de Medicina Veterinária, em que, numa reunião de todos os países da União Europeia em Toulouse, os seus alunos foram considerados os mais bem preparados e uma aluna foi estagiar para a Suécia e deram-lhe 20 valores. Ficou surpreendida, mas acrescentaram: “Merece-os”.

Quanto aos cursos profissionais, dada a sua qualidade, tinha um milhão e 50 mil contos para fazer a escola. O projecto estava feito e, à última da hora, essas verbas foram desviadas. Mais gravoso que isso, é que meteram-se na ARCA – Associação Recreativa Coimbra Artística – com o mesmo comportamento e ideologia, embora os cursos da ARCA tivessem sido considerados os melhores do país pelo Reitor da Universidade da Beira Interior, encarregado pelo Governo de fazer essa avaliação.

A Cognitaria, instituição privada de utilidade pública, sem fins lucrativos que tem como objectivos a criação, selecção e difusão dos conhecimentos integrados e sua implementação prática, não deve ser considerada opositora da Universidade de Coimbra e de todo o outro ensino, mas devem ser complementares.

Para que Coimbra regresse ao centro dos conhecimentos e se reerga da iniquidade em que está a cair, em que não tem lugar entre as 500 melhores universidades do mundo, embora seja da nossa opinião que os critérios seguidos pelo ranking de Xangai se baseiem num autêntico mercado de valores materiais.

Norberto Canha escreve à sexta-feira, semanalmente

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