Editora de poesia de Coimbra lança antologia à imagem das ‘mixtapes’

Editora do lado esquerdo

A editora de poesia “do lado esquerdo“, em Coimbra, lançou uma antologia sobre canções com poemas de 37 autores, entre os quais Pablo García Casado e Daniel Jonas, com lado A e B, à imagem das ‘mixtapes’ de cassete.

Ao fim de quase seis anos de atividade, a editora do lado esquerdo, que aposta em edições únicas de pequenas tiragens, lança a sua segunda ‘mixtape’- Mixtape II, uma antologia sobre canções com poemas de diversos autores portugueses e espanhóis, entre nomes consagrados e outros mais desconhecidos. Entre os autores participantes estão André Tecedeiro, Daniel Jonas, Luís Quintais, Maria Sanchez, Pablo García Casado, Raquel Nobre Guerra ou Patrícia Baltazar.

A antologia, tal como as ‘mixtapes’ de cassetes, conta com um lado A e um lado B para cada poeta, sendo o livro organizado não de forma alfabética, mas a partir das canções escolhidas para cada poema, disse à agência Lusa, Maria Sousa que é, juntamente com Nuno Abrantes, a responsável pela “do lado esquerdo”.

As escolhas musicais vão de música tradicional transmontana a Tom Waits ou “a bandas dos anos 80 semi-obscuras”, sendo que o livro foi organizado numa espécie de “alinhamento musical, muito pessoal”, explicou. A primeira antologia do género que a editora de Coimbra publicou foi em 2013, ano em que iniciou a sua atividade.

Desde a fundação, a do lado esquerdo já editou 39 livros de poesia, tendo como critério apenas poesia que emocione os dois editores, que trabalham de forma “completamente voluntária”. “Só publicamos um autor porque nos emociona. O que eu pretendo é ser surpreendida, ser emocionada pela poesia”, vincou Maria Sousa, sublinhando que não há uma necessidade de os poetas serem conhecidos ou desconhecidos: “A poesia que acho que é válida é a poesia que me emociona, seja de poetas novos ou consagrados”.

A do lado esquerdo já publicou três primeiros livros, nomeadamente de Cláudia R. Sampaioque depois publicou na Tinta da China, editora que também apostou em Tatiana Faia, que também já tinha sido editada na pequena editora de Coimbra. Ao longo destes seis anos, Maria Sousa nota que “o mundo da poesia mudou muito”, considerando que, a partir da sua “pequena bolha”, começou a sentir que “as pessoas deixaram de ter medo da poesia e passaram a gostar mais de poesia”.

“Notei que há muito mais pessoas a ler poesia. Não sei se há mais gente a comprar, mas há muito mais pessoas a ler”, sublinhou, realçando que, mesmo assim, ainda “há muito medo da poesia”. “O ensino do português é destrutivo em relação à poesia. Para um professor de português, o que interessa na poesia é o ritmo, a rima e as figuras de estilo. Ensinam isso, mas não ensinam a sentir. Um poema não é para dissecá-lo como um sapo numa aula de ciência. Isso não é o mais importante”, contou a editora de Coimbra.

Ao longo dos seis anos de atividade, também nota uma maior procura pelas publicações da “do lado esquerdo”, encontrando leitores do Algarve ao Minho, sendo que, apesar de ser de Coimbra, “é uma editora mais conhecida em Lisboa” do que na sua cidade. Para 2019, a do lado esquerdo vai editar traduções de Gemma Gorga e Karmelo C. Iribarren, bem como novos livros de André Tecedeiro e da própria Maria Sousa.

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