Opinião: Os incêndios

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Os incêndios continuam.

Assisti a incêndios, em criança, na minha aldeia, Vales da Vilariça. Ardeu um palheiro e não se estendeu o fogo aos palheiros vizinhos. Se fosse, hoje, até teria ardido a igreja.

Pena acrescida, porque tinha sido substituída a telha tradicional pela telha marselha. Não havia bombeiros. Soou o toque a rebate dos sinos e todo o povo, desde a fonte, depósito de água, até aos apagadores: dois homens locais que, com um machado nas mãos, cortavam as traves. Chegada a água, vinda passada de mão em mão em cântaros e remeias da fonte, despejavam-na.

A fonte foi substituída pela água canalizada. Os habitantes são apenas 32, em que há apenas duas crianças e eu, que resido em Coimbra, sou dos mais velhos.

Os bombeiros não teriam chegado atempadamente.

Noutra ocasião, muito mais tarde, ardeu o edifício da ACM em Coimbra. Os bombeiros chegaram a tempo, só que as bocas de incêndio não tinham água.

Já na época pós-25 de Abril, ardeu-me uma pequena floresta. Os bombeiros locais apelaram. Vem em seu auxílio um helicóptero. Despeja os baldes de água. Nada. Vai-se embora. Falta de combustível e é noite. Não voltou mais.

Foi fogo posto, como actualmente tem sido. É terrorismo alimentado pelo capital.

Eu, indo para trás os montes, na altura dos retornados, vi uns incendiários a atear fogo. Fugiram num carro. Eram curvas, nem a matrícula fixei.

Nos primórdios pós-25 de Abril, assisti a um novo incêndio. Telefonou-se para os bombeiros, que acorreram. Ardeu tudo e foi a estrada que travou o incêndio. Não havia vento.

Foi poupada a capela… Mas, na minha pequena floresta, davam menos pelos pinheiros do que aquilo que eu gastaria a plantá-los. Faço a proposta de dividir as receitas da venda pelos dois: “Não queremos”, disseram.

Tudo isto porquê? Porque o meio rural está totalmente despovoado. Aconselho a ler o livro “EIVA e o Futuro” e encontrarão aí a solução. Deixará de haver os 150 mil sem-abrigo, repovoar-se-á o meio rural, produzir-se-ão aí as energias indispensáveis à vida (EIVA), ou seja, energia alimentar, energia electromagnética e energia das ideias e pensamento.

Acabar-se-á com a ELVA, ou seja, energias limitativas da vida, que é a fome a poluição e a impreparação dos políticos.

Neste livro, responsabilizo principalmente os presidentes das Câmaras e da Associação Nacional de Municípios, pois, quase todos já não ouvem ninguém e são, na sua grande maioria, das Ciências Humanísticas, Jurídicas e Empresariais. Mais um factor: bons fatos, bom carro, não têm tempo para receber o povo.

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