Opinião: Julgar depois é fácil

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Proponho um exercício ao/à leitor/a: imagine-se há 10 ou 20 anos atrás. Sabendo o que sabe hoje, tomaria todas as mesmas decisões? Diria tudo o que disse? Calaria tudo o que guardou? Se calhar não. Mas na altura não sabia tudo o que sabe hoje, pois não? O que acharia se alguém viesse hoje criticar atitudes que teve nessa altura?

Vem isto a propósito dum hábito cada vez mais frequente na política: o de fazer o debate político centrado na crítica do que alguém disse ou decidiu há muitos anos atrás. É claro que na vida política dá segurança encontrar alguma coerência de pensamento. Aqueles que mudam de opinião com demasiada frequência dificilmente são dignos de confiança para liderar um coletivo. Mas será razoável julgar fatos ou palavras do passado com base em critérios e conhecimentos do presente? Ainda para mais com a velocidade a que o mundo atualmente gira? As circunstâncias e prioridades mudam, os contextos sociais ou económicos são diferentes, a informação ou os recursos disponíveis já são outros…e os envolvidos são distintos.

Por tudo isto, é lícito exigir um pouco mais de decoro e honestidade intelectual a quem centra os seus argumentos políticos no ataque ao que o adversário disse ou fez 10 ou 20 anos antes. Seja na arena nacional, na luta intrapartidária ou na realidade municipal. Com a exceção daqueles que deliberadamente querem ter benefícios impróprios pelas decisões que vão tomando, há que acreditar que cada um dos agentes políticos procura fazer o melhor que sabe. Se calhar temos é de julgar melhor à priori se o que ele/a sabe é suficiente.

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