Opinião: Do Leslie a um Orçamento de Estado pleno de ilusões… e desilusões…

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No meio da tormenta, muitos terão reparado no facto de os serviços da Proteção Civil não terem alertado, por mensagem de telemóvel, quem vive nos distritos atingidos com maior severidade pelo furacão Leslie, que, afortunadamente, decaiu para o estado de simples tempestade tropical, mas que, mesmo assim, causou imensos prejuízos, especialmente na região Centro deste país.
Mas muitos mais só souberam pela TV que a mensagem não foi enviada por a Proteção Civil só ter autorização para alertar o povo quanto a incêndios florestais, o que passou a ocorrer depois da calamidade que no ano passado matou tantas pessoas! E no meio desta falta de informação, e de tantos serviços de segurança e transmissões que claudicam vezes sem conta, apesar de terem custado fortunas à nação, o atual ministro da Administração Interna, e a “sua” Proteção Civil, ainda não endogeneizaram que este serviço desde sempre devia ter a obrigação legal de alertar as populações, seja qual for a borrasca ou a catástrofe que se julgue que as poderão vir a atingir.
Governar não é remediar. Governar é prever e planear. Prever carece de serviços e políticos competentes. Planear envolve ainda muito mais gente, de todos os ministros a todos os responsáveis operacionais. Governar não é só visitar locais das tragédias e dirigir palavras tão doces como ocas, pelos canais de difusão de som e de imagem. Governar é muito mais que isto. Governar é respeitar aqueles em nome dos quais, e para os quais, se governa. Para o nosso povo.
O resto é conversa fiada. A mesma que levou outro grande ministro político, este da Segurança Social, a empandeirar o bloco de esquerda, os verdes e os vermelhos de uma assentada, com as novas regras aplicáveis a quem pretender pedir reformas antecipadas! Mas há dezoito meses que a geringonça conhecia esta proposta, que em vez de repor as condições de reforma às que havia antes da “troika” (que foi chamada pelo PS, obrigando o governo seguinte do PSD /CDS a aplicar uma lei de tal ministro socialista, embora com mais penalizações), levará a que, a partir de 2019, só quem, aos 60 anos de idade, tenha 40 anos de descontos, poderá usufruir de uma tão propagandeada “benesse”. Ou seja, quem tenha começado a descontar até aos 20 anos de idade!
Como há 40 anos, 5 anos após o 25 de Abril, as propinas do ensino superior eram irrisórias, e o acesso ao mesmo era facilitado, muitos jovens prolongaram os estudos em vez de, terminado o ensino obrigatório, se candidatarem a empregos desqualificados e mal remunerados, devido às poucas habilitações que deteriam. Mas se os socialistas, com a extrema-esquerda, aprovarem o Orçamento de Estado (OE) para 2019 tal como está, aquela proposta impedirá muita gente de se reformar antecipadamente, e esta medida política será uma das mais amargas desilusões do OE!
Mas há mais, nesta proposta de OE. Como a de os senhorios (quando o povo foi incentivado por governos e bancos a endividarem-se por uma vida, para serem proprietários!) irem ter mais um imposto, ou taxa municipal, sobre os imóveis, para subsidiar a Proteção Civil (será certamente para esta poder pagar futuras mensagens de telemóvel…), ou a que levará muitos a correr o risco de mudarem de escalão no IRS, por estes não irem ser ajustados à inflação! Mas que importa, se os efeitos de tudo isto só se farão sentir depois das eleições europeias e das legislativas de 2019.
Dizia eu que governar é prever e planear. Como se vê, o governo de Costa prevê o que virá e planeia como ninguém o que fará, para atingir os seus objetivos! Se tivesse igual afinco para dignificar cuidadores informais e erradicar a extrema pobreza, entre outros temas, não teria só a geringonça a apoiar o seu governo. Agora, criar ilusões que se tornam desilusões, revela frieza e calculismo político. Mais palavras para quê? Trata-se do governo “de um artista português”, parafraseando um anúncio da TV da era “a preto e branco”; como um dia, a política será talvez.

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