Opinião: “P – de Prosperidade e de Política”

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Prosperidade. É o termo que prefiro. É mais abrangente e objetivo do que “desenvolvimento”. “Desenvolvimento sustentável” ainda me agrada menos… É uma redundância… Se não é “sustentável” não pode ser considerado “desenvolvimento”. Prosperidade, sim. Penso ser o melhor termo para designar o estádio de alcance, manutenção e/ou superação do êxito global (transversal e integrado). Dentro do conceito de «prosperidade» estão implícitos os conceitos de desenvolvimento, sustentabilidade, ecologia, sociedade, ambiente, cultura, economia e justiça, saúde e educação, emprego e rendimentos. O conceito «Prosperidade» contempla todos os vetores que interagem na dinâmica dos mesmos: o contexto geo-humano – da geomorfologia ao património (natural e cultural, material e intangível), sempre com o capital social em consideração máxima; a preservação dos recursos naturais; a coesão e a justiça sociais. Sociedade, Ecologia, Cultura, Economia são, em suma, os pilares que devem ser considerados na definição de políticas de prosperidade.
Os territórios são construídos por pessoas. São o capital humano e o capital social que definem o potencial de prosperidade de determinados contextos territoriais. São os cidadãos e os grupos sociais/institucionais, privados ou públicos, os principais vetores na modulação do território. Através das suas ações, os cidadãos conferem dinâmicas específicas e definem, desde logo, o posicionamento do seu território relativamente ao estádio de prosperidade em que se encontram. A comunidade confere dinâmicas setoriais, policênctricas, de geração de prosperidade. Se assim não for, é preferível que os territórios permaneçam intocáveis. Sem presença humana: os cidadãos são o principal recurso dos territórios. Mas também poderão ser os seus principais inimigos e os responsáveis pela sua degradação, abandono, destruição.
Reconhecidos os recursos de potenciação territorial – como os referidos anteriormente – cabe às instituições locais, desde logo políticas, que definam adequadamente a estratégia a implementar, devidamente planeada: a curto, médio e longo prazos. O objetivo será alcançar a prosperidade destes contextos. Contudo, é difícil para os decisores políticos avançarem com determinadas medidas. Na realidade, as exigências eleitoralistas são mais ponderadas do que as verdadeiras necessidades dos territórios. Ir para além do óbvio é uma condição fundamental para o verdadeiro progresso dos territórios. As atrações naturais, cujos recursos promovem de forma natural a projeção (turística, global) dos territórios não devem limitar a ação política dos executivos. Evidentemente, facilita a sua ação na medida em que basta fazer o óbvio para que os seus territórios atraiam pessoas e dinâmicas. Contudo, a médio e longo prazos, esta ação política produz vários efeitos negativos, alguns impossíveis de reverter. Da urbanização aos espaços verdes e estética urbana, muitos são os erros impossíveis de corrigir. Difícil é decidir em territórios sem massa crítica e sem atração natural. No entanto, mesmo nesses casos há sempre soluções para alcançar a prosperidade. Com a colaboração do Estado, que é crucial.

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