Opinião – Viva o União!

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A dinâmica de uma comunidade pode medir-se por um conjunto de indicadores como o volume de negócios gerado pelas empresas que lá atuam, pela taxa de desemprego, a geral e a dos jovens, pela capacidade de gerar postos de trabalho, pelo número de empresas criado no ano, pelo número de instituições sociais, mais um sem número de variáveis que, arrisco, a maioria dessas comunidades não mede, logo não gere. Se a política local fosse mais medida, muita discussão espúria seria evitada e os resultados seriam melhores.

Além dessas, há uma outra dinâmica importante que se relaciona com os movimentos associativos e cívicos que, de modo altruísta, conseguem chegar aos cidadãos, de modo voluntário. Por essa razão, a crónica de hoje, é inteiramente dedicada ao União de Coimbra que vai voltar a ter uma equipa de séniores a participar no campeonato distrital. Independentemente de sermos mais academistas ou mais unionistas, o União de Coimbra faz falta a uma cidade como a nossa, pelo papel que tem junto dos jovens, promovendo o desporto e ajudando a estruturar a sociedade, muito para além do que é a competição em si mesmo.

Hoje, em várias modalidades, onde pontifica o futebol, centenas de jovens de várias idades praticam desporto o que, desde logo, permite que se cumpra um papel de relevo em termos sociais e desportivos. Muitas vezes, nos meios urbanos é ainda mais difícil juntar vontades e o tempo de cada um, para agarrar nestas causas, razão pela qual devemos congratular-nos pela revitalização desta instituição desportiva que há cerca de 30 ou 40 anos, era um nome de prestígio no futebol nacional.

Ouvia, um dia destes, um dos candidatos a Presidente do Sporting dizer que a economia portuguesa era pequena para ter três clubes grandes. Fazendo um zoom para a região, talvez uma cidade como Coimbra seja pequena para ter dois clubes nacionais , mas não penso sequer que isso seja importante. O União de Coimbra cumprirá o seu papel mantendo a sua atividade desportiva junto dos mais jovens, usufruindo de infraestruturas localizadas no centro da cidade que, com algumas melhorias, podem ser a base de um clube que pode não ser grande na dimensão, mas pode ser forte na captação e formação de jovens talentos para o futebol. Já assim foi e, tenho a certeza que com o amor das pessoas que têm lutado para o recuperar , poderá voltar a sê-lo.

As comunidades e as cidades devem também saber valorizar e comemorar os momentos aparentemente menos importantes e emblemáticos, como este do União de Coimbra , a partir deste ano, ter equipas de futebol em todos os escalões. As pessoas que persistentemente têm sabido liderar este movimento associativo merecem o nosso respeito e homenagem porque mesmo que não sirva para mais nada, todas as pequenas motivações são boas para continuarem o sonho que os tem movido.

Este não é um daqueles indicadores estruturantes que escrevia no início desta crónica, mas revela uma outra dimensão da sociedade. O voluntariado e o associativismo , neste mundo digital em que todos vivemos, com “amigos” à distância, jamais se devem perder porque são realmente a base da comunidade.

Paulo Júlio escreve ao sábado, quinzenalmente

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