Opinião: Refugium

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Hoje saí com algum destino o meu Hotel em Berlim na Charlottenstraße. Acabei por verificar que fica próxima de tudo o que vai ser o meu mundo nos próximos dias. Até encontrei um Refugium como lugar calmo de uma Igreja que hoje não pude ver pois havia lá um evento. Pelo caminho até encontrei a Universidade de Humboldt, fundada por um irmão de Alexander Humboldt, de seu nome Wilhelm em 1810. Aconteceu já quase no rescaldo da derrota napoleónica em Portugal em 1811.
Contudo, antes, em 1804, 29 de Outubro, sabemos com atraso através do Jornal de Coimbra 1 , o Encarregado dos Negócios da Inglaterra em Berlim pediu ao Rei de Prússia como Diretor do círculo da Baixa Saxónia uma declaração plena, e nada equívoca, sobre a prisão de Alexander Humboldt em Hamburgo.
Agora encontrei aqui refúgio contra a angústia que sinto por pertencer a um povo que tem governos desleixados. São os que fazem acontecer desastres como Pedrogão e onde existe gente sem vergonha como o denunciam e comentam jornalistas e colunistas. Fazem-no com muito atraso pois já o sei há muito tempo. E como me acontece já o sabe o Ministério Público e as polícias. Mas continuam à espera do fim de ano para dizer que tudo é passado.
De facto, vamos sabendo desde há uns tempos nas redondezas que tudo isto é verdade e que há pessoas que, inexplicavelmente, aceitam ser lesadas sabe Deus porquê. Tudo choca o nosso povo comum, justificando uma intervenção moralizante dos intervenientes ativos nesta cegada. Talvez os locais tudo isto aceitem por ter havido um primeiro-ministro que foi fazendo tropelias porque é e era um animal feroz. Talvez ouvissem falar de detentores de lugares de mando académico que permitissem abusos lesivos da academia. Ou então por não ser impedimento de ser vencedor num qualquer pleito eleitoral autárquico o ter sido condenado em tribunal por alguma prevaricação. Talvez isso até insensibilizasse os transgressores para o pecado de tocar neste dinheiro tão tingido de sangue. Mas, neste nosso lado do mundo a coerência não é muito forte. Alguns até mudam de partido conforme os ventos eleitorais. Ouvi por lá.
Contudo, o atual primeiro-ministro disse até para justificar a situação que os autarcas tinham sido eleitos pelo Povo Português, mas isso não é verdade. Foram-no em eleições locais. E isso nada justifica quando se pratica a delapidação de dinheiros públicos ou da solidariedade, havendo neste caso quem se sacrifica para o oferecer.
E quando olho a quilómetros e distância o que se passa, sinto-me liberto de falsas tibiezas para censurar os que, a coberto de um “insensato porreirismo” que tudo desculpa, esquece como estes comportamentos justificam inadmissíveis exclusões territoriais e o consequente empobrecimento criminoso destas localidades do Interior.

1 Jornal de Coimbra, vol. V, Parte 1, n. XXIII,
Novembro de 1813, p. 285.

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