Opinião: Preocupações – O próximo reitor

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Preocupa-me quem será o próximo reitor.

O reitor é uma figura emblemática da cidade. Deve ser co-responsável, com a Câmara, pelo desenvolvimento da cidade, do concelho e até da região e não um eremita isolado da realidade do mundo que o cerca ou rodeia.

As fábricas fechadas, as casas abandonadas, as portas e janelas escancaradas ou emparedadas… É um despudor e desprestígio para a cidade e para a universidade, assim como os edifícios acabados de pintar, oficiais ou particulares, grafitados… Que juízo de nós poderá fazer quem por nós passa ou que se queira cá fixar?

No panorama actual e do meu conhecimento, só há três que neste momento histórico, da agonia em que se encontra o país e a cidade, segundo o meu critério de avaliação, merecem ser o futuro reitor. Um da área de Medicina, outro de Ciências e outro de Direito. Deverão apresentar o seu currículo onde, entre outras coisas, digam claramente o que são – nem que sejam sociedades discretas –, o que pretendem fazer e como fazê-lo.

Aconselho, para terem sempre presente os problemas de todas as faculdades – muitos comuns, como as propinas, e outros parcelares, como o material e os meios humanos, para garantir um ensino de qualidade que está carenciado e que será, quiçá, até, excendentário, para uma futura redistribuição dos meios disponíveis – uma reunião semanal (no mínimo quinzenal) para que cada um conheça o todo e todos o de cada uma (faculdade).

Como cada vez mais há patamarização das gerações e dos conhecimentos, recomendaria que criassem aquilo que designo por AJJACUCECO, ou seja, a miscelânea de todas as gerações e conhecimentos e que significa Associação de Jubilados, Jovens, Aposentados Coaptados da Universidade de Coimbra e Cognitários, para que a alteração e melhoramento dos cursos seja antecipada, para que nunca nenhum estudante fique desempregado, nem que o número de alunos tenha que ser reduzido ou que sejam criados novos cursos.

Utilizando um termo médico, é fazer medicina preventiva, para que não haja doença ou desempregados…
De uma vez por todas, futuramente, a melhor universidade não será aquela que tem mais alunos, mas sim aquela que produz os licenciados e doutorados mais bem preparados para terem emprego assegurado no país ou, se tiverem que emigrar, para onde melhor se fixarem.

Uma recomendação: por muito que estejam ocupados, recebam quem convosco pretenda falar ou, pelo menos, arranjem um colaborador que os possa receber e, diariamente, os informe do que lhes querem dizer. Se assim não procederem, transformam-se em alheados do mundo que os rodeia.

Uma recomendação final: que no exercício do cargo devem ser isentos e comportarem-se sendo justos, equitativos e, nas decisões, não contemplarem amigos, políticos ou aparentados.

Se o sugerido estivesse praticado, não se teriam transformado salas de aulas práticas em gabinetes ou arquivos, nem teria deixado de haver concursos hospitalares (e em algumas especialidades, os mais novos do quadro terão cerca de 50 anos). Como transmitir os conhecimentos?

Também é responsável a população de Coimbra, pois está em decadência a qualidade da Medicina praticada, pela passividade ou alheamento da Câmara e da população perante o que está a acontecer.

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