Opinião: Obrigado Povo Português, Estamos a Renascer

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Ironicamente ao percorrer o caminho agora rápido para Vila de Rei, encontrei numa Montanha logo à esquerda um dístico onde se lia: “Obrigado Povo Português: Estamos a Renascer.”

No dia seguinte, as televisões desejosas de mais um escândalo, noticiavam a ida bem atrasada da Polícia Judiciária à Casa da Cultura em Pedrógão Grande à procura de provas de um crime de lesa-pobreza que choca todos os Portugueses de Boa-Fé, eu incluído.

Prossegui no Arquivo de Vila de Rei as minhas pesquisas e estranhamente encontrei registado o seguinte: “Para a Contribuição de Coimbra=2340 reis”.1 Devia ser para a Arca dos Médicos, criada pelo Rei D. Sebastião para recolher os contributos dos municípios, que serviam para financiar a formação dos médicos. Mas, como é habitual em Portugal, esta legislação foi logo pervertida nos seus objetivos.

De facto, em Notas de Arte e Crítica, Joaquim Martins Teixeira de Carvalho informa-nos em 1926 na página 39, que é “das poucas-vergonhas mais divertidas que se encontram na história da Universidade. Era um negócio rendoso em que entravam vice-reitor, secretário e professores”. E quando agora a história se repete, como diz Carlos Marx, é sempre como comédia, logo acrescentando eu “de mau gosto”.

Recordando o que estudei sobre economia da caridade/solidariedade, vejo que nesta são precisas contas rigorosas que comprovem que cumprem os objetivos dos doadores, pois só dessa forma estes podem sentir sempre que os seus sacrifícios ao darem apoios não foram em vão. Contudo, vamos sabendo que, nas mais diversas situações, existe sempre gente à espreita de qualquer descontrolo para gastar tudo o que é fruto da solidariedade social de forma vergonhosamente confrangedora.

Ninguém parece mesmo trazer qualquer informação de casos bem recentes como a “Raríssimas”, protagonizada por Paula Brito Costa, fundadora e inicialmente presidente da associação e agora suspeita de gestão danosa e desvio de fundos da instituição em proveito próprio, sem que nada mudasse de modo substancial.

Pior ainda, chamada de emergência para a substituir na presidência, Sónia Margarida Cardiga Silva Laygue confessa: “Pensei que aquilo não podia estar a acontecer, que não era real. Fiquei preocupada, mas não sabia como funcionava o mundo das associações nem das IPSS, pensei que fosse tudo acontecer a uma rapidez diferente, pensei que viesse logo uma nova direção.” (https://observador.pt/especiais/presidente-da-rarissimas-em-entrevista-a-paula-costa-continua-a-ter-um-salario-tal-como-o-marido-e-o-filho/, acesso em 13/9/2018 ).

Infelizmente, neste e em muitos outros casos, a governação espera só que todos se arrependam e comecem a portar-se bem e, por isso, nada faz para sanear este ambiente pútrido. E assim caminhamos sempre para o abismo do nosso inferno.

1 Arquivo Municipal de Vila de Rei, Livro de Atas iniciado em 24 de Outubro de 1840, sessão de 12 de Março de 1841, folha 10, verso

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