Opinião: Marcha pelo clima

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Vivemos num sítio privilegiado do planeta, um clima moderado, recursos naturais em abundância, desde água ao sol. Portugal será das nações mais resilientes às mudanças climáticas em curso, mesmo com o risco de incêndio provocado pela eucaliptização do país e o desordenamento do território.  As alterações climáticas não nos afetam diretamente, por enquanto. Apesar do aumento do número de dias de calor extremo (>35ºC), chuvas imprevisíveis, erosão costeira agravada pelas tempestades,..etc., a vida continua “bem”. Prova disso é que a maioria das pessoas queixa-se e mobilizam-se contra o elevado “custo de vida” (preço da gasolina, eletricidade, cortes nos salários,…) mas estão alheadas dos problemas globais: alteração do clima, extinção das espécies, acumulação de microplásticos. Estes são distantes no tempo e no espaço. Não há também uma relação entre o “stress” ambiental e o esforço para obter um determinado recurso. O preço da água não sobe quando há escassez por falta de chuva. Isto é, as autoridades “vendem água sem a racionalizar”. Se quiser posso consumir um milhão de litros de água por mês, desde que pague a conta, não há problema. Mais grave ainda é a indústria consumir água sem pagar o seu custo real. Comemos carne de aviário em excesso, sem pensar nos gravíssimos impactos climáticos associados.
No imediato, a 10 anos, as alterações climáticas surgem em primeiro lugar na dificuldade em prever o “tempo” (choverá no outono?), e no fenómeno, já presente, de erosão costeira, sendo o desafio, emparedar a costa ou renaturalizar e recuar as infraestruturas?

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