Opinião: Limpar Coimbra

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Uma cidade suja. Há poucos dias, numa conversa sobre expectativas e desejos a propósito da candidatura de Coimbra a Capital Europeia da Cultura 2027, ouvi um pedido franco e aberto: “primeiro, lavem a cidade!”. De facto, é unânime a constatação de uma cidade mal tratada, com demasiados focos de imundície, lixo e desleixo nos espaços públicos.
A limpeza e higiene pública é um parente pobre da política local. É menorizado como o assunto do lixo e da “recolha de resíduos” e até os trabalhadores são tipicamente desqualificados e esquecidos. Os métodos relativamente arcaicos de espremer lixos nas ruas, de acumulação de depósitos espalhados, de monos, carros e despejos por todo o lado são considerados, enfim, uma inevitabilidade histórica. Uma maçada autárquica que os responsáveis escondem atrás de uma boa rotunda com estátua ou de um festim futeboleiro (à borla).
Curiosamente, arrisco dizer que nunca como hoje a limpeza de Coimbra foi tão importante para uma leitura possível do desenvolvimento da cidade. Há 3 boas razões para uma outra política de cidade que, objectivamente, dê prioridade política ao espaço público de Coimbra:
1. O sinal político de cuidado extremo com o espaço público envolve os cidadãos afectivamente com a cidade, reforçando laços de comunidade e usufruto dos bens públicos sejam jardins, praças, arruamentos, espaços culturais ou comerciais, numa partilha de soluções que responsabiliza cada um na sua habitação, na sua rua ou ou no seu bairro para um esforço conjunto de viver bem em Coimbra;
2. A limpeza efectiva e também visual constitui um corolário de uma política integrada de ordenamento urbano e sustentabilidade ambiental, percebida imediatamente por quem nos visita ou aqui pretende instalar-se – sejam turistas ou estudantes, famílias, empresas ou profissionais –, contribuindo directamente para um ambiente urbano convidativo e qualificado;
3. A dimensão europeia e internacional de Coimbra deve assentar numa permanente busca e implementação de boas práticas e das melhores tecnologias urbanas, que comparem favoravelmente com o que de melhor se faz na Europa e no mundo – a começar pelos contentores (fétidos), em desuso crescente na maior parte das cidades patrimoniais ou mais avançadas. Uma cidade exigente consigo própria será património da Humanidade hoje e amanhã;
A implantação local do PSD em todas as freguesias de Coimbra dá-nos a dimensão real do problema que não está localizado unicamente ao centro histórico – vai desde Almalaguês à Lamarosa, na Baixa ou na Alta, de S. Martinho do Bispo ao Bairro Norton de Matos, do Loreto ao Botão. Ouvimos e lemos diariamente as queixas directas das pessoas – uma cidade demasiado suja por incúria e desleixo de quem manda.
Cuidar das nossas ruas e dos nossos espaços públicos – só por isto já valia a pena mudar.

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