Opinião: “Entendendo a emancipação do Brasil”

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Dentro de dois anos vamos comemorar o 24 de Agosto de 1820 e a revolução liberal, que se lhe seguiu. É o que muitas vezes analisamos independentemente do contexto ibérico, europeu e transcontinental, que a condicionou e se liga ao fim de um tempo de Imperialismo, momento em que o Brasil se emancipou.
Explica este processo histórico a vida do literato ”António Dinis (que) nasceu em Lisboa, 1731. Foi iniciado nos estudos humanísticos pelos padres da Congregação do Oratório e frequentou a Universidade de Coimbra, licenciando-se em Direito no ano de 1753. Foi juiz para Castelo-de-Vide em 1760. Quatro anos depois é transferido para Elvas, como auditor militar, e ali permanece até 1775. No ano seguinte parte para o Rio de Janeiro como Desembargador da Relação daquela cidade”. ( 1 )
Voltaria por isso em 1791 para julgar os seus confrades nas letras implicados na conspiração mineira de Tiradentes. E quando anos depois se dá o 24 de Agosto de 1820, tudo parecia fácil aos deputados portugueses dominar os acontecimentos e salvar a unidade dos Reinos de Portugal, dos Algarves e do Brasil.
Esqueciam-se que longe se tinha formado uma consciência e uma cultura, que se queria liberta politicamente. Era o que o mundo rural e até feudal do Portugal continental não entendia como diferente e a necessitar de uma administração pública, que entendesse os problemas diferentes de duas realidades geográficas bem diversas. E isso iria provocar desencontros que levariam inevitavelmente à Independência do Brasil.
Quando a Revolução Liberal termina por ação do Conde de Amarante e assistimos a movimentações políticas, que olhamos com olhos estreitos, em que só vemos o digladiar entre os absolutistas e liberais, centramo-nos só numa visão eurocêntrica, esquecemo-nos que, no outro lado do Atlântico, a realidade geográfica implicava uma cultura diferente, que devia ser bem diferente tanto no aspeto literário como científico.
Foi o que em Coimbra se procurou entender cientificamente e até na literatura e na gramática, bem como na capacidade de entender o desenvolvimento científico europeu e a melhoria do aproveitamento das terras, como o demonstram os cientistas portugueses e brasileiros que procuravam alterar o modo de aproveitamento dos recursos naturais. Era um processo onde o poder político e até universitário de então, alheado que estava dos verdadeiros problemas, impunha limites de entendimento, que estreitavam o campo das escolhas possíveis e tornava impossível uma solução sem ruturas na ligação Atlântica.
Também agora perante os problemas do nosso tempo, somos obrigados a alargar os nossos horizontes científicos e culturais para que as nossas inquietações possam ter uma solução aceitável.

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