Opinião: Ensinar e aprender

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Para milhares de jovens (e suas famílias) viveram-se momentos intensos esta semana: foi tempo de saber os resultados das candidaturas ao ensino superior. Trata-se de um daqueles momentos definidores do percurso individual de vida. Não tanto (ou não apenas) pela entrada num caminho rumo a uma profissão específica, mas mais pelo mundo que se abre à frente de cada um: é a exigência da autonomia por se passar a viver sozinho(a); é o encontro com pessoas que passarão a fazer parte da nossa vida para sempre; é a responsabilidade de gerirmos o próprio tempo e recursos; é o confronto com novas ideias e práticas; é a descoberta de novas atividades. Tudo isto é aprendizagem. E imensamente útil para a vida.

Esta “educação informal” (para usar a classificação tradicional da UNESCO), por resultar do ambiente social e económico, é moldada por fatores que vão evoluindo (viver em Coimbra nos anos 60 do século XX seria diferente do que é agora). E a “educação formal”? Será que consegue evoluir ao ritmo das mudanças sociais nas quais estamos imersos? Ou teima em manter-se inamovível, sob o pretexto de que “a universidade é o bastião do conhecimento”?

O valor de “entrar na universidade” está muito para lá do puro acesso ao mundo do conhecimento. Mas este não pode continuar a ser feito centrando-se naquilo que se quer ensinar (pelo professor) mas antes no que o aluno (e o professor?) pode aprender. Que a Universidade possa ser esse ambiente estimulante. Também intramuros.

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