Opinião: Antes que seja tarde

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A imagem que a TV exibe comove: um jovem que ainda não tem 30 anos, sentado no chão e encostado a um muro baixo de balaustres, limpa as lágrimas. Chora porque o museu nacional do seu país ardeu num incêndio devastador. Com ele desaparece parte da história de 200 anos do Brasil, da América Latina e do mundo. Incluindo um pouquinho de Portugal.

Como sempre nestes casos, para além da estupefação e do lamento pelas perdas irreparáveis, vêm à superfície as acusações de negligência, a falta de atenção e investimento, e a revolta é inevitável. Ao ler os relatos de manifestações de protesto e as opiniões indignadas de muitos brasileiros ocorre-me perguntar quando teria sido a última vez que essas pessoas (e outras) visitaram o museu? E quantos estarão arrependidos de ter adiado essa visita. Que nunca mais poderão fazer.

Acontece-nos com frequência: damos por garantidas as riquezas e o património que temos por perto e pensamos “Um dia havemos de lá ir”. E esse dia teima em chegar. Arrisco um desafio ao leitor: quando foi a última vez que foi à Biblioteca Joanina? Ou ao Museu Machado de Castro? Ou ao Castelo de Montemor? Ou a Conímbriga? Ou ao Museu Dr. Santos Rocha na Figueira? Ou…(são às dezenas, só na zona centro)?

Não chega estarmos descansados porque o património está ali ou guardado num sítio qualquer (que um dia havemos de visitar). Se não o cuidarmos, valorizarmos e aprendermos com ele é como se um fogo lento o esteja já a consumir.

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