Opinião: Andar a pé faz bem. Precisamos de bons passeios!

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Para incentivar as pessoas a andar, é preciso oferecer-lhes uma rede pedonal atrativa, confortável e segura, respeitando as especificações patentes no Dec-Lei n.º 163/2006 de 8 de Agosto.

Coimbra continua a andar à margem deste diploma, apresentando uma rede pedonal descontínua, deformada e degradada, onde permanecem barreiras e obstáculos que dificultam ou impossibilitam a circulação das pessoas, com e sem necessidades especiais, e que condicionam a realização plena dos seus direitos de cidadania.

Avalie-se, por exemplo, as descontinuidades, exiguidade e desníveis associados à ligação pedonal entre os parques da Casa do Sal e a R. da Sofia, através das Ruas de Aveiro/Figueira da Foz. Nem parecerem estar no coração da cidade…

Ora, o envelhecimento da população e as exigências associadas à mobilidade de pessoas com necessidades especiais balizam os novos paradigmas da mobilidade em meio urbano.

Além disso, está provado que andar a pé faz muito bem à saúde e representa um dos modos de deslocação privilegiado em meio urbano.

Em reunião recente do executivo camarário tomámos conhecimento do lançamento de uma empreitada para a requalificação de passeios inseridos na cidade, num valor global de cerca de 700 mil euros, e perguntamo-nos:

Como é possível que a CMC continue a tratar estes assuntos estratégicos para a mobilidade urbana, como puros atos de gestão, com identificação das ruas sem critérios lógicos e coerentes?

Quando é que a CMC vai promover, em parceria com os demais interessados, designadamente com o sector comercial e do turismo local, a elaboração de um plano de intervenção na rede pedonal, onde se definam os eixos de futuro investimento prioritário e estratégico?

Como é que esses circuitos são integrados em programas de requalificação e vivificação da cidade, conjugados com outras ações em edifícios e espaços públicos?

Quando é que vai ser definido um zonamento da cidade, com identificação dos materiais mais adequados a cada espaço e função?

A calçada à portuguesa é indiscutivelmente um símbolo da nossa cultura, raízes e tradições, mas é cara e, quando polida e irregular, torna-se perigosa. Será que se continua a justificar o seu uso de forma indiscriminada?

Mas importa igualmente passar um olhar atento sobre as freguesias periféricas. Aí as necessidades são incomparavelmente ainda mais prementes. Continuamos a ter arruamentos sem passeios e onde as pessoas se vêm obrigadas a caminhar por valas e valetas.

A CMC não pode olhar unicamente para o centro da cidade e esquecer a realidade da periferia. Não pode continuar a discriminar estas freguesias e a delegar estas responsabilidades por contratos interadministrativos sem financiamento adequado. Recorde-se que, segundo o art.º 29.º, nº 3 da Lei 50/2018, a “delegação de competências nas freguesias observa os princípios da universalidade e da equidade”, pelo que as freguesias periféricas devem ser objeto de nível equiparável de investimento.

A deslocação por vias pedonais deve ser garantida a todos!

 

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