Opinião: Alguém (se) enganou

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Recordemos a história rapidamente: o ISCAC (Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra) anunciou no ano passado a intenção de pôr a funcionar na Figueira uma instituição de ensino superior a que chamou Escola do Mar. Alguns parceiros foram também anunciados, entre os quais a Misericórdia da Figueira, proprietária do imóvel onde a escola iria funcionar (a Casa dos Pescadores, em Buarcos). A ideia original cresceu, passando a ser do interesse do IPC (Instituto Politécnico de Coimbra) já que envolvia mais valências. Esta semana lemos na imprensa que afinal a Escola do Mar já não vai para o sítio previsto. Ocorrem-me algumas perguntas:

Se a Misericórdia estava comprometida e empenhada com o projeto porque foi, por outro lado, candidatar-se a fundos para abrir no espaço um hostel (!…)?

Se havia essa intenção desde o início (de dupla ocupação), o ISCAC/IPC aceitou que o novo estabelecimento de ensino superior fosse “ocupar as traseiras”?

Onde pára o Executivo Municipal em todo neste processo?

Em Maio deste ano escrevi nesta coluna sobre o mesmo processo: “(…) e da parte dos parceiros figueirenses? Será possível ultrapassar “guerras de alecrim e manjerona”, orgulhos feridos e rivalidades pueris para colocar os interesses do concelho e da região no topo da agenda? Seremos capazes de (…) estabelecer uma colaboração aberta que aproveite o que de melhor tem cada um dos parceiros?” Parece que não. E quando penso nisto, não me sai da cabeça um verso duma belíssima canção de José Mário Branco que exprimia a desilusão: “houve aqui alguém que se enganou”.

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