Opinião: “A credibilidade política”

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No processo de redefinição das NUT3, em estreita colaboração com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Centro, apareceu a comunidade intermunicipal da Região de Coimbra, com massa crítica e dimensão para poder gerir assuntos estratégicos sob o ponto de vista territorial. Essa escala pode permitir pensar estrategicamente a região nos pelouros de desenvolvimento onde o nível supramunicipal seja mais indicado.
Os modelos de transporte sub-regional, as políticas de atração turística, as infraestruturas, a estratégia de atração de investimento, a valorização do património e a cultura, são exemplos de políticas de uma Comunidade Intermunicipal. Sendo isto válido para qualquer uma delas, a CIM de Coimbra tem uma dimensão e um peso político que poderá fazer a diferença na região e no país. O problema destas estruturas reside no modelo de governação, onde a direção executiva, na minha opinião, deveria ter mais força política, nomeadamente ser eleita entre os membros da assembleia intermunicipal.
Os Presidentes de Câmara devem traçar estratégia, regular e controlar a direção executiva. Mas, deveria caber a esta , o poder executivo de fazer acontecer os desígnios traçados. Tudo isto deveria permitir mais agilidade, mais presença política e maiores resultados a partir de uma estrutura que pode dar muito mais ao território. Esta semana, em cenário devidamente preparado , por falar em poder territorial, soubemos que , afinal, Cernache não tem condições para ser aeroporto. Como se fosse preciso “estudar” para tal concluir. Como isto foi tema de campanha eleitoral local, é bom recordar que se se anunciou algo tecnicamente impossível , então estamos perante mais um erro político colossal. Um erro político e um certificado de falta de credibilidade passado ao atual edil da nossa cidade. O cenário do anúncio, esse sim, foi estudado. Devagarinho, o Dr. Manuel Queiró apresentou os princípios gerais de um estudo em que a região pode almejar a um aeródromo com uma pista de 2000 metros que permita receber voos internacionais. Com cautelas para que quem paga o estudo não saia ainda mais ridicularizado , lá se disse que o local poderia ficar a meio caminho entre Coimbra e Leiria.
Em política, deveria haver um princípio básico de que se deveria estudar primeiro e anunciar depois. Para não haver equívocos, nem permitir que alguns sejam enganados. Um dia talvez seja assim. Mas, a conclusão deste processo deixa o poder político local de Coimbra ferido de credibilidade porque desta vez não se prometeu uma estrada que nunca veio. Prometeu-se um aeroporto. O único pequeno detalhe é que não poderia ser ali e , portanto, aquele que foi o tema de metade do tempo da campanha de 2017, era um “não assunto” . Consequências políticas ? Assobiar para o lado e concluir que se não for ali, pode ser acolá, se não for aeroporto , afinal pode ser um aeródromo. Concluo. Este texto não serve para criticar. Serve somente para não nos esquecermos

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