Salvem a Santix!

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É longa e dura a luta destas trabalhadoras. Escrevi várias vezes sobre estas mulheres. São 150 trabalhadores, na maioria mulheres. O passivo da empresa ascende a 5 milhões de euros. As más notícias são manchete no diário de ontem. Em 2016, foi aprovado um Processo Especial de Revitalização (PER), eram então reclamados 654 mil euros pelos trabalhadores. Agora, os salários, subsídios e férias em atraso ascendem a um valor muito superior àquele. Em Março último, os trabalhadores, com a suspensão dos contratos, recorreram ao Instituto de Emprego e Formação Profissional e à Segurança Social. Entretanto, tudo parecia encaminhar-se para uma solução que envolvia um grupo filipino. Porém, de novo, surge o pior. A insolvência chegou. Há muitas mulheres com milhares de euros por receber. Que não desarmaram antes e que continuam a lutar pelo seu ganha-pão.

Já em tempos, dei conta da coragem destas mulheres, escrevi:

«“Mulheres de um raio!”, comentou o velhote que seguia atentamente a reportagem da televisão sobre uma concentração de mulheres à porta de uma fábrica. Ao final da tarde, entrei num café e enquanto bebia uma bica, a televisão transmitia a reportagem da luta das trabalhadoras da Santix, em Coimbra.” Então a empresa devia-lhes dinheiro. (…) “Mandaram-nos para férias sem dinheiro e para quê?”, questionava uma das dezenas de mulheres concentradas à porta da fábrica, depois de impedidas de entrar nas instalações. Joana conta a sua história. Há mais de vinte anos que trabalha ali. Agora não se percebe bem quem são os patrões. A fábrica fundada em 1900 por Santiago Allo Alvarez, a Santix Indústria de Confecções SA, especializada em confecção clássica para homem, terá acordado na cedência de instalações e pessoal a outra empresa, a Insieme. “São estes que nos pagam. Ou melhor, não pagam…”, esclarece outra mulher e já Susana comunica que “trabalho é coisa que não falta”. Luísa revela que passa fome. Sem o salário de 500 euros não sobrevive. “Como pagar a água, a luz, sustentar o filho, comprar comida?” Há muitas que moram longe. “Não ganhamos para o transporte.” Uma vem de Penacova, outra de Poiares, outra de Montemor. “Tratam-nos como se fossemos bichos. Nem uma palavra de satisfação.” “Só queremos o que é nosso! O salário é pouco, mas sem ele…” “E se a fábrica fecha, o que vou fazer? Trabalho aqui há 35 anos! Se for para o desemprego não sirvo para mais nada… ”».

Mais tarde, recebi uma nova mensagem da Joana: “Até podemos ir para a suspensão! Mas não desistimos de lutar pelo que nos devem. E pelo direito ao trabalho!”

Ontem, hoje e amanhã, Coimbra precisa de indústria. Precisamos do sector produtivo, garante da nossa própria soberania. Estas mulheres precisam de trabalho. Joana, Luísa, Maria, e tantas mais! Mulheres que passam fome e só exigem o salário pela venda do seu trabalho. Comida para a família. Vida com dignidade! A Santix não pode encerrar. A Santix faz falta a Coimbra!

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