Parque de campismo regista menos 12 mil dormidas do que 2009

FOTO DB / PEDRO RAMOS

Em menos de uma década, o número de dormidas no Parque de Campismo de Coimbra caiu cerca de 60 por cento. A “culpa”, segundo o concessionário da estrutura municipal, é do autocaravanismo selvagem que é tolerado no Parque Verde

Em 2017, o Coimbra Camping & Bungalows contabilizou apenas oito mil dormidas. Menos 60 por cento do número registado em 2009 (20.000). Segundo o diretor do parque, Carlos Catarino, a principal causa para esta diminuição é a permanência prolongada de autocaravanas no parque de estacionamento público situado na margem esquerda do Parque Verde do Mondego.

A questão já não é nova. Em 2009, Carlos Catarino demonstrou o seu desagrado à empresa municipal Turismo de Coimbra pelo estacionamento de autocaravanas naquele espaço, o qual é na sua opinião “ilegal”. Naquele espaço público, refere, os autocaravanistas são vistos a lançar os resíduos das suas viaturas diretamente na água do Mondego. “Uma autocaravana não é um hotel com rodas”, sublinha.
De acordo com a lei, as autocaravanas só podem permanecer de forma prolongada em parques de campismo, estações de serviços e parques para autocaravanas.

Para resolver esta questão, o presidente da câmara, Manuel Machado, sugeriu esta semana que fossem colocados equipamentos no Parque Verde para evitar a prática ilegal de estacionamento. Carlos Catarino está de acordo com as intenções do autarca.

Notícia completa na edição impressa de 31 de agosto

Carolina Cardoso

9 Comments

  1. Eu punha as coisas noutros termos. Antigamente, procurava-se sitios baratos para ficar e o campismo era uma das alternativas. Com o expansionismo do alojamento local, e com os valores praticados, hoje, torna-se mais facil para as novas gerações viajarem e escolherem os seus destinos em plataformas como o AirBnB, a booking, a trivago, ou até mesmo no CouchSurfing. Creio que os avanços tecnológicos não foram ao mesmo tempo acompanhados pelos parques de campismo, nem viram que poderia haver nestas plataformas uma concorrência pela qual não esperavam.
    Outro dos factores é também uma questão das gerações mais novas, que não têm tanto interesse pelo campismo. As crianças de hoje cresceram quase todas elas fechadas, ligadas a computadores, e há uma muito menos apetência pelo campismo.
    As autocaravanas não passam de um bode expiatório de alguém que não foi capaz de perceber a evolução da sociedade e do próprio negocio.
    Aliás, o proibir a sua presença, a única coisa que trás é um decréscimo de faturação na economia local, tal como aconteceu em Silves e por outras regiões do pais.

    • Correcto. E o pior é que nem é preciso ter inteligência para perceber que os tempos mudam e as adaptações têm que acompanhar essa mudança.
      Agora, maus comportamentos de autocaravanistas também os há dentro dos próprios parques de campismo, mas como pagam…….só os de "fora" é que têm de ser penalizados mesmo sendo cívicos.

  2. José Ricardo S Pires says:

    Este assunto só se resolve com as leis do mercado – mais e melhor oferta ditam mais procura. No parque verde deveriam ser criadas mais condições para o autocaravanismo, isto é, um espaço razoáve (AAA)l, uma área de serviço para manutenção das autocaravanas (ASA), regras de estacionamento que impeçam práticas de acampamento – toldos, mesas, cadeiras, churrasco, etc, um limite de 72 horas e um custo de parque razoável. As AAA – áreas de acolhimento não concorrem com os parques de campismo onde ou utentes entram para acampar e descansar durante períodos de tempo mais prolongados. A pior asneira é criar dificuldades fora para obrigar os autocaravanistas a entrar neles. E geral perde-se a clientela!

  3. Marco Antunes says:

    Qual é a lei onde diz que as autocaravanas só podem permanecer de forma prolongada em parques de campismo e estações de serviço para aitocaravanas? Informem-se melhor antes de publicar asneiras. Nas estações de serviço de autocaravanas, vulgo ASA só se pode permenecer até 72 horas.

    • José Ricardo S Pires says:

      É a lei do bom senso. Turismo itinerante só pode esperar acitação se for itinerante. Parar um ou dois dia para conhecer e andar para outo lugar dando libertando espaço para os outros.

  4. .
    .
    Respondendo a uma observação incorrecta publicada no Diário “As Beiras” digo que de acordo com a lei as autocaravanas podem estar estacionadas num mesmo local durante 30 dias, excepto se houver sinalização em contrário que limite o tempo de estacionamento.

    Mais digo que qualquer limitação dirigida EXCLUSIVAMENTE às autocaravanas é discriminatória.

    Sugiro a leitura da Declaração de Primcípios subscrita por muitas entidades e que pode ser acedida no seguinte endereço:
    https://www.cpa-autocaravanas.pt/materiais/out201

  5. Convidamos o jornal a ouvir o que tem a dizer a Associação Autocaravanista de Portugal – CPA sobre este tema.

    Sendo a mais representativa da área, fundada em 1990, tem vindo a dialogar com outros municípios e a encontrar soluções de equilíbrio.

  6. José Ricardo S Pires says:

    Nota-se a "subtil" pressão do parque de campismo influenciando a autarquia e as suas recentes declarações. A melhor forma de "controlar" a situação é oferecer condições no parque verde, nomeadamente, uma estação de serviço para as autocaravanas (ASA). O estacionamento não tem de ser gratuito mas deverá ter preços razoáveis e limitar a permanência até 72 horas. Depois será a lei da oferta/procura que levarão os autocaravanistas para um dos lados. Lembrar que para acampar (toldos, cadeiras, churrasco, etc) só no parque de campismo. Não conheço este parque de campismo. Será que tem condições para a manutenção das autocaravanas? Recordo que muitos dos parques de campismo portugueses não as têm embora digam que têm, deviam ser avaliados por quem saiba do assunto, nomeadamente por uma federação autocaravanista – FPA.

  7. José Ricardo S Pires says:

    É nítida e descarada a convergência entre os interesses económicos do director do parque e as declarações do presidente da autarquia. Não existe nenhuma lei que impeça a tomada de refeições ou a dormida dentro de uma qualquer viatura. Muito menos quando se trata de uma autocaravana que está certificada para o permitir. Sendo certo que existe falta de civismo em todas as classes de utilizadores de viaturas é ridícula e, em nosso entender, falsa, a afirmação de s que se despeja directamente no Mondego. Bastará verificar a distância entre o estacionamento e aquele rio. Aquilo que é verdadeiro é que é a oferta de condições que convida a um bom comportamento cívico. No Parque verde devia ser construída uma área de serviço para autocaravanas (ASA) que é uma infraestrutura barata e fácil. Cumulativamente deveriam ser criadas melhores condições de estacionamento e limitar este até às 72 horas. Aquilo que é errado é criar restrições na tentativa de levar o autocaravanismo para dentro do parque de campismo. Está atitude só afastará este turismo com prejuízo para Coimbra.

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