Opinião: “Vladimir Ilyich e Inês Armand”

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Inês Armand nasceu em Paris, a 8 de maio de 1874. O pai era um cantor francês e a mãe uma atriz russa. Um casal de artistas falidos com uma filha ilegítima, pois a atriz era casada. Inês acompanhava os pais nas suas deambulações e boémias artísticas. Vida precária. Aos cinco anos de idade, foi enviada para a Rússia, onde seria educada pela tia, professora de música. Alguns anos mais tarde para além de tocar piano, já falava quatro línguas, francês, inglês, russo e alemão.
A tia Sophie ministra aulas de música em casa de uma família de grandes industriais e empresários de origem francesa, os Armand. A sobrinha Inês acompanha-a, brinca e conhece os filhos dessa família, sensivelmente da sua idade. Os Armand possuem empresas em Moscovo e em Pushkino, a trinta quilómetros de Moscovo, contratando milhares de operários. Na enorme residência onde vive a família Armand, trabalham 45 criados. Apesar de enquadrados na aristocracia e na alta burguesia da Rússia czarista, os Armand são progressistas, contestam o Czar e a polícia política e incomodam-se com a extrema miséria do povo russo. Apreciam Tolstoi e afirmam-se marxistas, pois ambicionavam uma sociedade diferente para o povo russo.
Aos 19 anos, em 1893, Inês acaba por casar com Aleksandr Armand, o filho mais velho e herdeiro da colossal fortuna. Aleksandr tinha 23 anos e estudara em Paris. Nos anos seguintes, Inês cada vez se preocupa mais com a miséria confrangedora do povo russo. As injustiças sociais da Rússia Czarista perturbam-na. Sempre com o apoio do marido, abre uma escola para os filhos dos camponeses, tal como havia feito Tolstoi. Em Moscovo existiam 105 bordéis onde trabalhavam 1178 mulheres. Inês Armand quer melhorar as condições de vida das mulheres russas.
A vida de Inês Armand iria sofrer profundas mudanças. É uma mulher inquieta. Participa em manifestações contra o Czar, indigna-se amiúde. Acaba detida e interrogada, por diversas vezes. Apesar da proteção e do peso da família.
O massacre perpetrado pela polícia russa em 1905, marca a viragem na sua vida. A revolução passa a ser o seu objetivo. Acaba por ter que se exilar e fugir da Rússia. Refugiar-se-á na Europa, onde já se encontrava um grande número de exilados russos.
Em 1909, em Paris, no Café des Manilleurs, conhece Vladimir Ilyich Ulyanov, célebre intelectual marxista russo, cujo irmão tinha sido morto pela polícia czarista. Vladimir era casado com Nadja que o acompanhava sempre.
Foi amor à primeira vista. Entre Vladimir e Inês. Iria durar para sempre. Apesar da rudeza e da frieza dele. Apesar da revolução estar sempre em primeiro. Apesar de todas as vicissitudes e contratempos.
Vladimir Ilyich Ulyanov era o nome completo daquele a quem todos chamavam Lenine. Inês seria o amor da vida dele.
Em 1917, os inimigos alemães, secretamente, colocariam Lenine na Rússia a fim de provocar a derrocada decisiva do Czar. Revolução de Outubro. Russos a favor e russos contra. Terrível guerra civil. Vermelhos contra Brancos. Tragédia, fome e guerra.
Em 1920 morreu Inês Armand, doente. Demasiadas privações. Foi o dia mais triste da vida de Lenine. Há quem diga que nesse dia também morreu a revolução.
Em 1924 faleceu Lenine, sem a revolução estar consolidada. A Rússia num caos. Deixara, em testamento confidencial, um aviso relativamente a Estaline, mencionando que não deveria ser ele o seu sucessor. Por ser demasiado rude.

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