Opinião: “Silêncio”

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Talvez todos precisemos de algum silêncio por esta altura. Um certo excesso de palavras marca o nosso quotidiano, sempre em crescendo de intensidade e efeito. São palavras como punhos, desde os assuntos mais corriqueiros aos temas mais sérios, desde as trivialidades do futebol à mudança de sexo aos 16 anos.
Ainda de luto pelos incêndios do ano passado, eis-nos perante o “sucesso” de Monchique. A narrativa toma o lugar da realidade, numa usura premeditada das palavras metafóricas. A política vive hoje dessa espiral de desinformação que recria a realidade que serve o seu interesse.
Como poderíamos ter resolvido num ano o que não fizemos em décadas de desleixo, irresponsabilidade e incompetência na floresta portuguesa?
É evidente que, depois da tragédia de 2017, as múltiplas entidades oficiais teriam que melhorar a resposta aos incêndios e a algumas das suas causas preveníveis mas esse esforço adicional é ainda claramente insuficiente – como a realidade demonstra – tanto em termos substantivos como conjunturais. Infelizmente, neste e nos próximos anos, teremos incêndios de grandes proporções com desfecho incerto. Muito tem ainda que mudar no cadastro rural, no ordenamento do território e na economia regional para inverter o abandono das zonas de baixa densidade do País.
Em memória dos inocentes – nossos concidadãos – que perderam a vida, o Governo de Portugal tem a estrita obrigação de trabalhar com o máximo afinco e competência para reformar a floresta. Um trabalho de formiga, que demorará uma década e atravessará vários protagonistas e partidos políticos.
Menos é mais. O silêncio na política pode ser uma virtude. Neste caso, a boa acção vale mais do que mil palavras.

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