Opinião – PSL, o adorado de RR

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Rui Rio ainda deve a estar a rir a bandeiras despregadas. O abandono de Santana Lopes do PSD, ou melhor do PPD/PSD, foi um alívio. Não bastaria ele para chatear, mas sobretudo toda aquela massa humana de fieis a quem seria necessário dar abrigo nas próximas eleições!

Ufa, terá exclamado Rui Rio, estava a ver que ainda não era desta!

Confesso que acho piada a Santana Lopes. Aliás sempre achei. Rapaz de “bom parlapier”, “bon-vivant qb” – sendo o qb elevado ao infinito – analise-se o trabalhinho do senhor na Figueira da Foz, tinha e acho que tem uma característica que o diferencia de muitos políticos que eu conheço, ou melhor, pensava conhecer; “nunca deixa cair um amigo”!

Na verdade, o “enfant terrible” do PSD e da política portuguesa, ouvido por muitos e escutado por poucos, na ânsia de liquidar o seu rival veio-lhe dar uma ajuda que nem ele próprio estaria à espera. Lá no fundo, acho que Santana Lopes é um homem sério e de convicções. Outro no seu lugar mantinha-se à tona no PSD, esperaria um desaire de Rui Rio e avançava para líder do partido.

Agora questiono-me; “é sério, ou parvo? A política em Portugal não é farta nem pródiga em novidades. São sempre os mesmos da direita à esquerda, sendo que por esse efeito não conseguem afirmar um pensamento político.

Vive-se em Portugal um acomodatismo feroz, voraz nos apetites mais funestos. Esperar-se-ia a qualquer momento um “golpe de asa”, alguém que trouxesse uma novidade e uma esperança ao debate político. Hei de morrer sem tal ver! Mas a verdade, é que a política portuguesa continua envolta nas piores suspeições e, erradamente, perseguem-se propostas políticas voluntaristas e, por esse facto, de difícil concretização.

Santana Lopes caiu na esparrela em que ia caindo o PSD na questão da saúde, na educação e na protecção social. O PSD recuou a tempo na ideia reformista “à americana” que não defende o cidadão enquanto tal, mas como simples peça de engrenagem de um capitalismo acéfalo.

Santana Lopes não é uma novidade, nem a novidade. Por um lado pelo facto de ser conhecido por boas e más razões – mais más do que boas – e por outro, pelo facto de, com a sua atitude arrastar pouca gente consigo. Pode dar-se ainda o fenómeno, se o PSD acertar no discurso, aumentar a sua capacidade de intervenção tanto nas suas bases como na sociedade portuguesa.

O Partido Socialista não pode nem deve bater palmas a PSL pela atitude. Deverá ficar preocupado, não tanto pela sua imagem, mas sobretudo pelo matraquear constante de um ideário liberal contrário ao programa socialista. A verdade é que a coisa vai animar, sobretudo se Santana Lopes tiver amigos com capital suficiente para o apoiar.

Isto de seguros de saúde, segurança social só para pobres e educação só para alguns são bandeiras de um programa de ultra direita – que não de extrema-direita – que só “passa” para a opinião pública à custa de um enorme e bem elaborado discurso demagógico e rios de dinheiro! A ver vamos!

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