Opinião: O abate das árvores

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A atitude prevalente relativa às árvores em meio urbano resume-se com a anedota: “Um casal de namorados aproxima-se de um espaço verde, quando a jovem, num momento romântico lhe diz: – Querido consegues ver este magnífico bosque? E ele responde: – Hmm ainda não! Estas árvores não me deixam ver nada…”

Os planeadores urbanos descuram frequentemente a preservação das árvores, é mais fácil arrasar e plantar novo do que traçar o perfil do arruamento em função do património natural existente. Vem isto a propósito do recente protesto do Movimento Parque Verde, contra o abate de 16 árvores em Buarcos. Destaque-se aqui a iniciativa do dr. Luís Pena que luta, desde os anos 90, por uma Figueira mais verde e saudável. Recordo bem a sua ação contra as podas destrutivas no mandato de Santana Lopes (PSD) nas Abadias.

Conseguiu-se mediatismo para as árvores, porque são vários os casos de abate de em obras municipais, para dar lugar a estacionamento (Coliseu Figueirense; Alto do Forno; Quartel) ou porque os técnicos acharam mais fácil “deitar abaixo”. O investimento nas árvores é residual ( 0,1% do orçamento municipal?), faltam bosquetes e cortinas arbóreas.
É ainda notável o aproveitamento político, há quem se manifeste contra o abate, mas defendendo a criação de mais estacionamento no local, estimando sim a oferta permanente de espaço para os carros.

A sociedade está ainda longe de pensar na árvore como elemento central no planeamento urbano enquanto “fábrica purificadora do ar urbano a custo zero” e mitigadora das alterações climáticas.

2 Comments

  1. Pablotequilha says:

    Não gosto de falar sobre o passado. Na presente opinião de João Vaz, embora breve e sucinta, apresenta um trabalho que me faz pensar sobre o (passado), sim, porque o presente é péssimo. Trata-se sem qualquer dúvida de crimes ecológicos e porque não do foro do direito civil. O abate indiscriminado das árvores em Portugal para interesses ou manias de modernismos e ou (obra feita), assim como para deixar zonas livres de carga térmica na proximidade de aglomerados urbanos e ou orografia, leva à formação de canais de escoamento que, vão alterar o ambiente e o equilíbrio ecológico de locais. Os exames fitossanitários assim como as alterações climáticas inerentes não são contabilizados. Sombras aprazíveis, oxigénio, refúgio de animais tudo isto são memórias contando com o trabalho feito pelos antigos da JAE que não plantaram eucaliptos nas bermas das estradas nacionais…

  2. Que grande verdade Sr. Pablotequilha! A rua ou estrada onde vivi anteriormente era ladeada de cedros e as bermas estavam sempre impecáveis, pois eram carinhosamente tratadas pelos extintos cantoneiros da JAE…

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