Opinião: Madonnas

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Os católicos celebraram ontem a chamada “Assunção de Maria”. O dogma segundo o qual, Maria, mãe de Jesus, terá subido, em corpo e alma, aos céus. No texto original, do Papa Pio XII, proclama-se que “a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi Assumpta em corpo e alma à glória celestial”.

Para um agnóstico dizem pouco este tipo de afirmações grandiloquentes, mas sem qualquer fundamento que não seja o da própria fé. De todo o modo, cumpre assinalar que a fixação deste dogma é um dos elementos centrais do “culto mariano”. Se o elemento feminino andou, durante séculos, afastado da teologia católica, o século XX marca o aparecimento com a pujança que lhe conhecemos, por exemplo, nas cerimónias em Fátima. Maria, a “Madonna” na expressão italiana, proclamada mãe de Deus, mulher imaculada, aproxima-se, em estatuto teológico, dos elementos da Santíssima Trindade.

Mas o mundo é vário. O sagrado e o profano andam por aí. Madonna, a cantora, entra hoje no clube dos sexagenários. Será uma daquelas que não precisará de ascender aos céus. Nem em alma e muito menos em corpo. Em rigor, a sua apoteose já se deu. Em vida.

A partir de um início de percurso acidentado, Madonna construiu uma carreira recheada de sucesso, na música, nos vídeos, no cinema. Valorizando sempre, na sua carreira artística, os aspectos profanos – o corpo enquanto arma; a promiscuidade sexual; a celebração, talvez irónica, do efémero e do superficial – Madonna é hoje a grande pop star do universo.

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