Opinião – Ir a banhos à Figueira da Foz

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Após visitar as praias tropicais de Moçambique e São Tomé e Príncipe, perdi a vontade de mergulhar na Figueira. A água aqui é muito fria, não há peixe no mar nem coqueiros em terra. A nortada fria e o nevoeiro matinal também não favorecem o meu entusiasmo pelos “banhos”.

Assumo a injustiça da comparação e alguma “velhice minha”, evidente na intolerância dos ossos à água fria. Tendemos ainda a desprezar o que está à porta de casa: vejo a praia e o mar da minha varanda, está ali, a 700 metros, em linha reta, com 400 metros de areia pelo caminho. Nem sempre foi assim. quando era miúdo, vinha à praia da Figueira de férias, saindo do Porto, para passar um mês com os meus avós maternos.

Lembro-me da ansiedade com que chegava à praia, observando a cor da bandeira, verificando se havia muito ou pouco vento. E, nessa altura, desfrutava imenso da praia de Buarcos, junto à Muralha, um lugar magnífico nos anos 70, entretanto soterrado pela estrada, pedras, estacionamento e muros de betão. Percebo bem a religiosidade com que muitos banhistas sentem a praia da Figueira, em especial aqueles vindos de locais onde não há mar. Esteja frio, vento ou nevoeiro, caminham para junto do mar e aí disfrutam da natureza da praia atlântica.

Neste agosto de 2018, tivemos dias de praia fantásticos, sem vento e com calor. Confesso que, por distração, pouco aproveitei. E quando fui, já era tarde, voltou a nortada. Pelo que vi, a praia da Figueira estava limpa e bem cuidada. Foi um prazer voltar a dar um mergulho no Atlântico, apesar da água fria.

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