Opinião – Eutanásia da opinião – A propósito da implantação da nova maternidade

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Aprendi de leituras e verifiquei por experiência que é verdade que, numa situação inesperada ou difícil, a solução que nos ocorre em primeiro lugar está certa em 96% dos casos.

Ocorreu-me que, neste caso, no que diz respeito à localização da maternidade, a melhor solução é ficar próxima do Hospital Pediátrico, uma vez que lá há espaço.

Aquando da construção da então nova Faculdade de Medicina (na Alta da cidade), o reitor e professor de Anatomia mostrou o projeto à empregada, a senhora Maria. Quase de pronto, ela terá dito: “Falta cá um cantinho para aquecer a sopa”. O cantinho foi introduzido no projeto.

Quando foi da construção do novo Hospital da Universidade, ninguém ouviu ninguém. Não foi ouvido o Serviço de Ortopedia, que, na altura já tinha uma lotação superior a 200 leitos. Entenderam que só devia ter 120 camas e hoje estão a fazer de tudo para que isto aconteça. Os doentes traumatizados não só andam dispersos por outros serviços hospitalares como, uma fratura do colo do fémur nos idosos, que no velho hospital era operada no próprio dia, chega a estar 7 a 10 dias a aguardar intervenção e alguns fora do serviço que o vai operar!…

Para que não venham a acontecer situações equívocas, ouçam os Diretores dos respetivos serviços (neste caso das maternidades) e Eles que ouçam quem lá trabalha! Se assim procederem, deixarão de ser responsáveis pelo que venha a acontecer. Expressem a vossa opinião em relatório escrito e divulgado só depois de dar conhecimento aos escalões superiores e logo após ao Senhor Ministro da Saúde.

Foi assim que procedi na Guiné e era alferes miliciano, mobilizado como cirurgião. Quando verifiquei que o equipamento do bloco operatório era da campanha do exército americano da Segunda Guerra Mundial no Norte de Africa, elaborei um relatório do qual dei conhecimento ao senhor Diretor do Hospital e, só depois, mandei para o comandante militar. O Diretor opunha-se. Pouco tempo depois, visitou-nos o general Gomes de Araújo, Ministro da Defesa e licenciado em Engenharia. Foram apresentadas as nossas razões, fundamentos e justificações. Quinze dias depois estava lá um avião militar com tudo o que tínhamos pedido. Assim foi possível salvar feridos de guerra que cá teriam morrido.

Porém, quando foi construído o novo Hospital, em Coimbra, foi possível salvar mais vidas. Sendo Diretor do Hospital, já a terminar a construção, fomos visitar o novo Hospital da Universidade de Coimbra e reparámos que não havia salas de operações nas urgências. Feito o reparo, vieram a ser construídas onde estava localizada a morgue.

Após a nossa jubilação, encerraram-nas e depois estranham as infeções hospitalares!…

Tivemos conhecimento de que recentemente foram reabertas. Mas será que estão disponíveis 24 horas por dia?

Se uma equipa cirúrgica estivesse a acompanhar cada soldado, seria raro o que morreria… Mas isso é um impossível.

Que não seja possível continuar a fazer sem ouvir os que mais sabem ou deviam saber!

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