Opinião – Esta vermelha cruz

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“Morta por dentro, mas de pé, de pé, como as árvores!”.

Se há frases que nos ajudam a moldar o carácter, esta, uma das mais célebres da televisão portuguesa, pausada e destemidamente dita pela enorme atriz Palmira Bastos, enquanto bate com a bengala no chão, quase no final da peça “As Árvores Morrem de Pé”, é sem dúvida uma delas.

Ainda sou do tempo… em que havia uma noite por semana na qual o 1.º canal da RTP exibia teatro. Em direto. Como esta comédia em 3 atos, de Alejandro Casona, pseudónimo de Alejandro Rodríguez Álvarez ( 1903-1965 ), dramaturgo espanhol, considerada pelos entendidos emblemática do repertório do séc. XX, já que “experimenta e contraria os padrões clássicos do Teatro, criando fissuras nas personagens, desagregando-as da sua identidade, confrontando-as com o conceito da verdade e dos seus espelhos no poder recriador da ilusão”.

No princípio há uma organização que pretende fazer o bem com poesia e criatividade; mas há também um neto rufia, um avô protetor que vai enganando a avó que não sabe que o jovem não é um famoso arquiteto, um casal colocado pela tal organização a pedido do avô a fingir que são o neto e respetiva mulher, um telegrama a dizer que o neto vai chegar, um afundamento de um navio no qual viajaria, um dia em que chega o verdadeiro neto que afinal não viajara no navio naufragado e está vivo…

Nos últimos dias, na Figueira, certas árvores, ainda que marcadas para a morte com uma serôdia vermelha cruz “porque não se adequavam ao projeto”, mostraram… vida!

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