Opinião: Em tempo de férias (II): A propósito do nosso futuro

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Desde o tempo da geração perdida que viveu o fim do século XIX, ao tempo da primeira grande guerra mundial (GG), e até ao final do tempo da geração silenciosa que viu cessar a II GG, que o mundo foi sendo mais turbulento. Mas o avolumar de muitos dos conflitos intergeracionais deriva de um aceleramento social, económico e tecnológico sem precedentes na história recente.
Mas hoje, quando nalgumas organizações trabalham quatro gerações consecutivas – desde os poucos “baby boomers” ainda no ativo, duma célebre geração lembrada pela rebeldia e forma ativa como questionou valores tradicionalistas, a muitos das gerações X e Y, que aprenderam a utilizar osrecursos informáticos, e alguns da geração Z, que desde o berço vivem na “net” e só “pensam digital” -, as mesmas mostram ser mais talentosas e competitivas, pela diversidade de ideias que existe, embora obrigue a uma gestão extremamente cuidadosa dos recursos humanos.
Como qualquer geração provém não só da que a precedeu, mas também de outras mais antigas, se alguns progenitores dos “millennials” (os Y) pertencem à geração “baby boom”, que nasceu depois da II GG, a maioria descende da geração X, nascida nos meados dos anos 60 e marcada pela guerra fria, e que um crescimento económico ímpar fez com que fosse mais consumista que consumerista. Já a geração Y é mais desapegada das coisas; como exemplo, prefere alugar casas em vez de se endividar para possuir bens imóveis, o que a escravizaria para o resto da sua vida!
Dependendo qualquer geração dos locais e circunstâncias em que nasce e cresce, note-se que só após o 25 de Abril de 1974 é que Portugal deixou de ser um país de emigrações maciças e muito atrasado em vários domínios, e em que o nível de vida só melhorou com a integração, nos anos 80, na CEE, hoje União Europeia (UE). Pelo que os valores das nossas gerações X e Y parecem ser mais similares entre si do que os de outras nações europeias, fruto de um desenvolvimento mais tardio, e menos intenso. Já a nossa geração Z está mais bem alinhada com o resto da UE.
Mas, como muitos dos nossos jovens com elevados níveis educacionais e profissionais não têm empregos que os façam acreditar no futuro, já não procriam tanto, nem tão cedo como dantes, e emigram massivamente, o que empobrece o nosso país. Se tão acentuada emigração e o declínio demográfico não diminuírem, Portugal, que já sofre os efeitos negativos de ter poucos jovens, terá um futuro mais sombrio do que antes, pelo que urge mudar o rumo de políticas que têm criado essencialmente postos de trabalho pouco motivadores, e que tornaram mais incerta a vida coletiva, apesar das conquistas e progressos ocorridos. Neste contexto, as nossas gerações X, Y e Z – a maior parte dos trabalhadores atuais -, e as outras que se seguirem, deverão criar formas de organização política, social e económica que permitam criar continuadamente mais riqueza.
Para isto acontecer, há que gerar maiores consensos políticos, numa sociedade em que são raros os que acreditam que seja possível, e que valha a pena, sendo aterrador que hoje os portugueses descreiam tanto dos políticos, por os julgarem pouco credíveis, e desprovidos de valores éticos.
Numa era em que se esbatem fronteiras e outros protecionismos, é a qualidade das pessoas que permite construir um futuro mais promissor, pelo que se a nossa sociedade desejar ter um maior desenvolvimento, terá de criar muitos mais empregos, e muito melhor qualificados do que os gerados até agora, para que as capacidades individuais de todos os nossos trabalhadores, independentemente das suas qualificações profissionais e níveis educacionais, acrescentarem muito maior valor a tudo o que fizerem, tornando este país muito mais produtivo e competitivo do que tem sido. Mas Portugal só avançará mais rapidamente quando todos os que trabalharem nas organizações, sejam estas públicas e privadas, deixarem de emperrar o seu funcionamento…

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