Opinião: 30 minutos

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Entre 1986 e 90, fui, por razões académicas, utente bissemanal da linha ferroviária Figueira- Coimbra – no ano em que Portugal e Espanha aderiram formalmente à CEE, a qual passou a contar com 12 Estados-Membros, em que o ativista dos direitos humanos Anatoly Scharansky foi libertado após oito anos em prisões e em campos de trabalho soviéticos fruto de um acordo de amnistia celebrado entre os presidentes Gorbachev e Reagan, no ano em que o vaivém espacial Challenger descolou de Cabo Canaveral, Florida, explodindo poucos segundos depois e com ele os seus sete tripulantes, em que aconteceu o acidente nuclear na Central de Chernobil, na Ucrânia (então parte da União Soviética), considerado o pior de sempre.

Em 1986 demorava em média 1 hora e 20 percorrer estes 44km de linha, em comboios a diesel, mas entretanto a CEE é agora UE, tem por enquanto 28 Estados-Membros, a União Soviética implodiu, o vaivém espacial já não voa, Putin e Trump ganham eleições, a central e a cidade fantasma de Pripiat são um centro turístico em crescimento, e os comboios, elétricos e com a mais recente tecnologia ao nível da cadeia de tração, podendo circular a uma velocidade média de 80km/h, demoram 1 hora e 13 a fazer o mesmo trajeto… ou seja, uma velocidade comercial pior do que a do ramal da Lousã, em que os comboios eram a diesel e com freio a vácuo.

Isto por causa de um mau ajustamento dos horários, e porque ainda não houve vontade de criar um canal horário matinal e outro vespertino, que permita fazer este trajeto em… 30 minutos!

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