Opinião: O Gerigonço

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Ficámos a saber que vai haver um novo partido, … pois se já tem nome e tudo! Aliança, democrática naturalmente, é a nova força que vai aparecer no espetro político, no lado oposto à já «velha» coligação bloquista entre PSR e UDP.

O aparato noticioso que rodeia este surgimento lembra as negociações dos casamentos medievais de velhos príncipes carrancudos com donzelas ainda por conceber. O Aliança de Santana ocupa o seu espaço político ainda sem existir. Sempre foi a habilidade política de PSL: ocupar espaço sem existir!

Personalidades à parte, a verdade é que os partidos políticos surgidos em 74-75 (ou seja, os partidos da direita, pois os outros já existiam) agregaram sob certas bandeiras ideológicas «viabilizadoras» pessoas com sentimentos e prioridades políticas diversas em muitos aspetos. Entre o PPD e o CDS foi tudo uma questão de tempo: sociologicamente, o facto de o primeiro ter antecedido em alguns meses o segundo é a única explicação para a respetiva diferença de peso político.

E se Freitas era afilhado de Marcelo, e isso podia ser dissuasor, Marcelo também o era, e hoje é Presidente. Serve isto para dizer que Santana sabe, como todos sabemos, que de facto o PSD representa pessoas que pensam politicamente de forma diferente, e só as recorrentes passagens pelo poder as têm mantido agregadas. A avaliar pelas dificuldades de Rio no grupo parlamentar, dir-se-ia que o Aliança poderá ter já vários deputados … antes de ir a eleições!!

Em Portugal, há três partidos que se mantém pelo controlo que conseguiram do espaço público: o PS controla a função pública do Estado, o PSD está bem implantado nas autarquias, o PCP controla sindicatos. Já o CDS e o BE beneficiam, a espaços, da originalidade das suas propostas ou da imagem dos seus líderes. O CDS guarda ainda a «medalha» de ter votado contra a versão inicial da Constituição de 1976, tendo o tempo, obviamente, vindo a dar-lhe razão.

E em Coimbra, quem fará o Aliança? Os que são Coimbra, querem fazer «alianças»? Ou serão, afinal, um projeto pessoal? … como o Aliança! O PSD e o CDS sentirão a ameaça? Penso que estamos, declaradamente, perante uma italianização da política portuguesa; só faltam mesmo os partidos regionais, para apimentar.

Este Verão, no Algarve, encontrei Santana Lopes na praia – um acaso curioso – e este contava que irá passar os últimos dias de Agosto à Figueira da Foz, cidade do seu coração, onde, provavelmente, fará o lançamento do novo partido.

Dizia contar ter ainda 30 anos de vida política pela frente, pelo que – entendemos nós – a memória que dele há-de ficar será a deste Aliança e não a do seu «PPD/PSD». Será? A atender às reações negativas que vai tendo no PSD o Aliança vai, de certeza, provocar sérios danos. Mas isso é um problema deles, … acontece quando se escolhe um líder por razões de «pragmatismo» e não pelo único motivo que vale a pena na política: o «romantismo» das ideias! Além do mais, consta que tem o hábito, muito «démodé», de inspirar a simpatia das senhoras….

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