Opinião – Yada, yada, yada… (Ou blá, blá, blá… para quem não viu Seinfeld)

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Uns míseros dias de férias e só me apetece galhofar. O ócio é grande amigo do humor e, juntos, de férias à beira-mar, fazem-me rir (e não, malandrecos, a sua pureza não precisa de ser verificada em prol da minha saúde).

Entre o faz-de-conta e as escondidas, a cabra-cega e a macaca, o berlinde e o pião, a malha e o jogo do eixo, vamos a um joguito, já.

Parece que está na berra uma brincadeira nova, um “Cluedo no paiol” (porque os Monopólios em Portugal já têm dono, bem se sabe) e o Azeredo (autor do divertimento) gostava de ser Sherlock ou Poirot. Na verdade, o rapaz mais parece o SuperPateta. Faltam-lhe o chapéu (para guardar os amendoins) e o sobrinho inteligente, mas tem jeito de super-herói, sim senhores, digno das melhores bandas desenhadas (da Disney, pois então). Trapalhão q.b., o SuperAzeredo, Pateta para os amigos, vai mudando as regras e baralhando os colegas.

Ora, vejamos: primeiro, não sabia se tinha havido algum furto no paiol… Logo a seguir, anunciou que o material em falta era tão obsoleto que não merecia preocupação… Sucedeu, então, que os larápios (quem sabe se desiludidos pela parca qualidade do material) devolveram a carga e acalmaram o Azeredo, que, entretanto, anunciou que os gatunos (gente boa, à boa maneira militar) haviam devolvido material a mais. Grande festa, digna do La Féria… E afinal, aqui chegados, prestes a acabar o jogo, eis que ainda faltam umas coisitas. Soberba reviravolta! És tão divertido, SuperPateta, fazes-me lembrar a guerra do Solnado, com intervalos para almoço e convívios com o inimigo. Vestes o pijama, pões a capa, comes uns superamendoins, e, se não consegues resolver o enigma, mudas as cartas outra vez, dás de frosques durante uns tempos e baralhas toda a gente com uma nova jogada. Grande truque! És o meu super-herói!

Tu deves ser muito inteligente, SuperPateta! Ou, então, és só tolinho… e batoteiro! Apatetado, como diria a minha avó… Mas, se assim for, não posso mangar contigo. Não é bonito! Não se escarnece de tolinhos!

É por esse motivo, aliás, que eu ainda não falei dos tolinhos que enchem o Facebook com comentários idiotas a propósito dos incêndios na Grécia: de um lado, uns quantos a perguntarem se a culpa também é do teu amigo Costa, e, do outro, outros tantos a lembrarem que estes incêndios também aconteceram com a esquerda no poder. Só não sei se são todos parvos ou se uns quantos se fazem. Sei que é mais fácil ignorar que, não obstante as condições climáticas extremas, a Grécia, tal como Portugal, tem um território desordenado e uma falta de estratégia gritante. Aliás, há poucos dias na A12 percebemos que, por cá, a memória das tragédias do ano passado se resume ao medo, à falta de confiança no Estado e à inoperância do sistema.

E a conversa foi, mais uma vez, a mesma: Yada, Yada, Yada (por cá, e para os pobres que nunca viram Seinfeld, é o mesmo que dizer-se blá, blá, blá, isto é, conversa da treta, ou seja, nada): “os cidadãos têm de confiar no Estado, mas também têm que se habituar a reagir a estas tragédias”.

Por isso, venham os Super-heróis, ainda que sejam Patetas!

PS: E a ti, Donald SuperPoupa, se voltas a dizer que as alterações climáticas são uma invenção… agarro-te pelo fundilho das calças e dou-te umas ‘nalgadas’ bem assentes. De seguida, ponho-te umas orelhas de burro (que devem assentar que nem uma luva nessa poupinha amarela) e mando-te para o deserto de vez… o que eu gostava de te ver torradinho, com ar de pipoca.

Filomena Girão escreve à quinta-feira, semanalmente

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