Opinião: Universidade de Coimbra – marchemos até ao abismo e dêmos um salto em frente

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“Lembrem-se das palavras de Mao Tsé-Tung: está sempre mais escuro antes de ficar completamente de noite”.
John McCain (*)

Na passada sexta-feira, dia 22, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), divulgou os resultados do Concurso Estímulo ao Emprego Científico – Institucional (CEEC).

Aberto de 22 de fevereiro a 22 de março, este concurso contemplava um pacote de 400 contratos a termo certo, pagos pela FCT, aos quais as instituições deveriam concorrer.

Seria de esperar que a nossa mui excelsa e vetusta Universidade de Coimbra se empenhasse afincadamente para os açambarcar todos, ou, pelo menos, o maior numero possível, já que a malfadada república populou o país de universidades plebeias sem a nossa estirpe. Porém, assim não foi, e a Universidade de Coimbra, liderada pelo Grande Timoneiro, prossegue a sua Longa Marcha para o abismo à qual se seguirá, certamente, o Grande Salto em Frente.

A 15 de março, 5ª-feira, as direções dos Centros de Investigação receberam uma convocatória para uma reunião no dia seguinte sobre o dito concurso. Nessa tarde de 6ª-feira, em cinco reuniões separadas, um Vice-Reitor, reduzido a mensageiro, comunica quantos contratos decidiu a Reitoria pedir, encarregando os Centros de escreverem até à 3ª-feira seguinte o projeto justificando o número de contratos pedido.

Sim, o projeto para o maior pacote de contratos alguma vez posto ao alcance da Universidade teve de ser feito em quatro dias. O Grande Timoneiro, sem qualquer discussão prévia com os Centros ou com os Departamentos mas, certamente, após consultar o Livro das Administrações, I-Cha-Ching, o oráculo financeiro, decidiu, ou decidiu o oráculo, quantos investigadores e quantos docentes deveriam ser pedidos para cada área do saber.

E qual foi o resultado? De 0 a 10, a média das notas dos cinco projetos da Universidade de Coimbra foi 8,32. Tendo sido tudo feito em quatro dias, foi até um milagre! No entanto, ficámos abaixo da Universidade de Lisboa, da Universidade do Minho, da Universidade do Porto, da Universidade de Évora, da Universidade da Madeira, da Universidade Nova de Lisboa, da Universidade Católica Portuguesa, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto-Douro, do Instituto Politécnico de Bragança, do Instituto Politécnico de Leiria, da Universidade de Aveiro, da Universidade da Madeira… só para citar alguns!

É este o resultado da Revolução Excecional do Grande Timoneiro e seu ideário, quiçá rabiscado num Pequeno Livro Pingarelho, brasonado com o novo logotipo latrinaforme.

Há muito que todos anseiam, silenciosamente, o fim deste mandato. Contudo, seja qual for a razão do seu silêncio — talvez esperançosos que “a hora mais escura do dia é a que vem antes do sol nascer”, talvez demasiado ocupados a contar espingardas, ou talvez mantendo-se a sota-vento —, nas palavras de Luther King: “chega uma hora em que o silêncio é traição”.

(*) Não, não consta que Mao Tsé-Tung o tenha dito

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