Opinião – Quero o reembolso do IRS em tinto, branco ou rosé… do bom

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Estou farta de raios e coriscos. Mesmo sem sol, hoje decreto férias. Quero férias no País das Maravilhas!

Vou esquecer que vivemos num país onde os partidos políticos falsificam documentos e falseiam resultados eleitorais.

Vou esquecer que o Estado paga mais a ex-directores do BPN do que paga ao Presidente da República.

Vou esquecer que o Tribunal Constitucional deixou passar o prazo para aplicar coimas aos partidos no valor de centenas de milhares de euros.

Vou esquecer que, só no Parlamento, têm assento duas dezenas de arguidos por corrupção “praticada fora do trabalho”.

Vou esquecer que uma juíza vai voltar a exercer funções no Tribunal da Relação de Lisboa, apesar de estar a ser investigada num processo de corrupção.

Vou esquecer que um cidadão condenado por corrupção passiva e peculato de uso foi colocado como funcionário judicial no Tribunal de Cascais.

Vou esquecer que o Governo vai dar 10 milhões de euros em contratos de associação a dez colégios de um grupo cujos administradores estão acusados de corrupção.

Vou esquecer que ninguém (governo ou oposição) apresenta qualquer estratégia de desenvolvimento para o País.

Vou esquecer que a venda de imóveis (no valor exíguo de 670 milhões de euros) foi entregue a uma ex-assessora de Salgado.

Vou esquecer que o Governo lançou novo programa ( 220 milhões) para apoio a startups, sem implementar o programa anterior.

Vou esquecer que uma funcionária pública foi condenada em Abril e promovida em Junho.

Vou esquecer que um ex-ministro nos continua a fazer ‘corninhos’, surpreendido porque os membros de uma comissão parlamentar o questionam sobre fuga a impostos, off-shores, favorecimentos e outras malandragens (vejam lá o arrojo dos deputados, a aborrecerem o senhor Professor lá de uma Universidade famosa…).

Vou esquecer que temos a maior dívida pública de sempre.

Vou esquecer o caos na saúde, o desvario na educação, o desnorte na justiça.

Vou esquecer todos os desgostos!

Ora, por cá, produzem-se os melhores remédios para a ciática, que também adormecem a lembrança.

Assim sendo, senhores, não me importo de receber o reembolso de IRS em tinto, branco ou rosé. Do bom! Posso até enviar ao Centeno uma listagem das minhas preferências gustativas. (E, já agora, o consentimento devido para uso de dados pessoais tão sensíveis).

Dito isto, esquecidos os desgostos, esta semana, não me zangarei mais.

Costa, Rio, Cristas e afins, ide a banhos! Toca a aproveitar o último fôlego dos arranjinhos vigentes e depois de férias lá se pensará nos divórcios anunciados.

Por ora, para animar moçoilos e moçoilas, escrevo sobre amor. Amor e música, olaré. Porque os Pearl Jam estiveram outra vez em Lisboa e deram-nos música. Da boa, como sempre.

E eu gosto de música. Ai, se gosto, olarilolé… pop, rock, baladas, operetas, jazz, samba ou bossa nova… música, sempre.

E também gosto de cartas de amor… tanto quanto de música. Pois bem, foi ao som de Nothingman, dos Pearl Jam, que o depravado escritor de Californication declarou o seu amor de forma arrebatadora: “A tal és tu, Karen, e isso assusta como a m****. Mas, raios, tu cheiras a lar e isso tem que significar alguma coisa.”

A melhor declaração de amor da TV, raios!

Por isso, hoje desafio-vos: mostrem-me lá uma declaração de amor mais linda do que esta.

E, atenção, aqui vos aviso: se as vossas respostas não motivarem prantos e soluços, deixarei de imediato o registo adocicado e lamechas e farei uso do fel habitual. E depois não se queixem!

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